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Ações judiciais por problemas em cirurgias crescem 14,9% em Campinas em 2025

Imagem de arquivo mostra sala de cirurgia Rodger Bosch/AFP Campinas (SP) registrou aumento de 14,9% no número de processos judiciais relacionados a problemas e...

Ações judiciais por problemas em cirurgias crescem 14,9% em Campinas em 2025
Ações judiciais por problemas em cirurgias crescem 14,9% em Campinas em 2025 (Foto: Reprodução)

Imagem de arquivo mostra sala de cirurgia Rodger Bosch/AFP Campinas (SP) registrou aumento de 14,9% no número de processos judiciais relacionados a problemas em cirurgias em 2025, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Até 30 de novembro, foram contabilizadas 77 ações envolvendo cirurgias gerais, de urgência e eletivas no município. Em todo o ano de 2024, o total havia sido de 67 processos. Siga o g1 Campinas no Instagram 📱 Os números fazem parte de um levantamento nacional feito pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp). Em 2025, até o fim de novembro, o Brasil registrou 66.097 novos processos desse tipo. No ano anterior, foram 68.203. ➡️ Entre os incidentes mais frequentemente associados a centros cirúrgicos estão: objetos esquecidos no corpo do paciente após a cirurgia procedimentos realizados em local ou lado errado do corpo intervenções feitas no paciente errado Já no estado de São Paulo, até 30 de novembro de 2025, foram registrados 5.021 processos relacionados a cirurgias. Em 2024, o estado somou 5.090 ações ao longo do ano. Campinas registra média de 4 erros por dia na assistência à saúde em 2025 'Cortaram um dos meus ureteres' A decoradora Maria Rosa Ribeiro da Costa mora em Campinas e, em agosto do ano passado, enfrentou uma sequência de complicações após uma cirurgia ginecológica que deu errado. Ela ainda não sabe se vai entrar com medidas judiciais contra os envolvidos. “Era um caso simples. Eu tinha uma endometriose e era para ser feita a retirada do útero”, relatou. Segundo ela, a cirurgia foi cancelada após problemas entre o convênio GoCare e o hospital. Depois disso, foi encaminhada para outra médica e teve o procedimento remarcado para o Hospital Irmãos Penteado, onde finalmente fez a retirada do útero. Após a alta, no entanto, as dores se intensificaram. “Comecei a sentir dores muito fortes e não conseguia nem me mexer”, relatou. Ela precisou ser socorrida pelo Samu e levada ao hospital onde havia sido operada. “Chegando lá no hospital, eles não queriam me atender. Dizendo o quê? O hospital não atendia o meu convênio”, afirmou. Segundo Rosa, a família precisou arcar com os custos dos medicamentos e exames, que indicaram uma lesão. “Tinha realmente cortado um dos meus ureteres. Eu estava com um dos ureteres cortado e estava vazando urina por dentro”, disse. Ela passou por uma nova cirurgia de emergência e precisou implantar um cateter, que deveria ser retirado semanas depois, mas não houve liberação do convênio. “Foi postergando, postergando até que tive uma sepse”, afirmou. Apesar da recuperação, ela relatou falta de suporte. “Não tive apoio nenhum do convênio, não tive apoio nenhum do hospital”, disse. Em nota, o convênio médico GoCare informou que “não houve qualquer falha, negativa ou desatendimento por parte da operadora de saúde”. Leia o texto na íntegra abaixo. Hospital Irmãos Penteado, em Campinas Marcello Carvalho/g1 Como prevenir? Para o anestesiologista Luís Antônio Diego, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Sobrasp, a divulgação desses dados ajuda na ampliação do debate sobre segurança dos pacientes. “Isso é muito importante porque eventos adversos que podem e devem ser evitados não são específicos da medicina, são específicos de todas as áreas de conhecimento”, afirmou. Ele ressaltou que existem protocolos específicos voltados à prevenção de falhas cirúrgicas, como o “Checklist de Cirurgia Segura”, adotado por órgãos internacionais e nacionais, mas que ainda não é obrigatório em todos os serviços de saúde. O checklist prevê etapas antes da anestesia, antes do início da cirurgia e antes da saída do paciente da sala. “Não é uma resolução da diretoria colegiada da Anvisa que obriga o checklist a ser feito. É uma recomendação. Infelizmente, não são todos que fazem”, disse. “Antes de começar a cirurgia, a equipe do time cirúrgico todo deve conferir todos os materiais, gaze e tudo isso, para que isso não fique nenhum dentro de uma cavidade do paciente. E antes de sair da sala, deve-se contar todas as compressas”, detalhou. Diego destacou o papel do paciente na prevenção de falhas. “Hoje se recomenda que o paciente seja uma parte envolvida também nessa questão. Se ele souber disso, ele vai exigir um checklist, ele vai exigir que confiram, por exemplo, a pulseira, o identificador, o nome, a data de nascimento”. O que dizem os citados GoCare “Em atenção ao caso da beneficiária Maria Rosa Ribeiro da Costa, informamos que todos os atendimentos solicitados foram devidamente liberados pela operadora de saúde, não havendo, em nenhum momento, cerceamento ou negativa de autorização. Ressalta-se que o procedimento inicialmente agendado foi realizado no dia subsequente, em 16 de agosto de 2025, no Hospital Irmãos Penteado. Após a realização do procedimento, conforme relatado a paciente, os atendimentos subsequentes foram autorizados e realizados no mesmo hospital, sem qualquer desautorização por parte do plano de saúde. Destaca-se, ainda, que a beneficiária permaneceu internada no período de 22/08/2025 a 25/08/2025, ocasião em que foram realizados os procedimentos de laparoscopia e colocação de cateter duplo J, ambos devidamente autorizados. Posteriormente, a paciente deu entrada na unidade hospitalar para a retirada do cateter duplo J, tendo o atendimento igualmente liberado e autorizado pela operadora de saúde. Dessa forma, conforme demonstrado, não houve qualquer falha, negativa ou desatendimento por parte da operadora de saúde”. O g1 também procurou o Hospital Irmãos Penteado, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região N Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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