cover
Tocando Agora:

'Batalha da Inajar': Justiça condena um corintiano por morte de palmeirense, outro por rixa e absolve 8 torcedores

Corintianos são julgados por mortes de palmeirenses em SP O julgamento de dez torcedores corintianos acusados de participar do assassinato de dois palmeirenses...

'Batalha da Inajar': Justiça condena um corintiano por morte de palmeirense, outro por rixa e absolve 8 torcedores
'Batalha da Inajar': Justiça condena um corintiano por morte de palmeirense, outro por rixa e absolve 8 torcedores (Foto: Reprodução)

Corintianos são julgados por mortes de palmeirenses em SP O julgamento de dez torcedores corintianos acusados de participar do assassinato de dois palmeirenses em 2012, na Zona Norte de São Paulo, terminou nesta terça-feira (6) com a condenação de dois dos dez réus. Os outros oito foram absolvidos. Um dos réus, Carlos Roberto de Brito Júnior, 43 anos, o Neguinho, foi condenado a 16 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo homicídio de um dos palmeirenses _Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, de 19 anos. Ele é o único dos condenados que ficará preso. O segundo réu, Mario Batista, foi condenado pelo crime de rixa, mas a punição está prescrita e, por isso, não será cumprida. Isso porque a pena por motiseria de seis meses a dois anos de detenção. Os outros oito réus foram absolvidos pelo Tribunal do Júri das acusações de homicídio e associação criminosa _entre eles, Douglas Deungaro, o "Metaleiro" (veja abaixo a lista completa com quem foi condenado e quem absolvido). Todos os réus, alguns deles da torcida organizada Gaviões da Fiel, respondiam em liberdade pelos homicídios de membros da Mancha Alviverde. Eles foram acusados de envolvimento nas mortes de Guilherme Moreira e André Alves Lezo, de 21 anos. Durante o júri, nenhum dos acusados foi responsabilizado pela morte de André. Os corintianos sempre negaram todos os crimes. Alguns deles chegaram a ser detidos pela polícia à época do crime, mas depois foram soltos. Com a condenação, eles poderiam ter saído presos, como determina o Supremo Tribunal Federal (STF), mas a Justiça decidiu que eles poderão recorrer da sentença em liberdade. O julgamento começou na segunda-feira (5) no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. A previsão do TJ era de que ele pudesse terminar até sexta-feira (9). Além dos acusados, 50 testemunhas estavam arroladas para serem ouvidas, mas 40 delas foram dispensadas. Os palmeirenses André Lezo (à esquerda) e Guilherme Moreira (à direita) morreram em confronto com corintianos em 2012. Antonio Silva, o Donizete (ao centro), é um dos corintianos réus acusados dos homicídios. Reprodução/Arquivo e Paulo Toledo Piza/g1 Tanto os depoimentos das testemunhas como os interrogatórios dos réus ocorreram ainda na segunda-feira. Nesta terça, os debates entre acusação e defesa começaram às 9h. Sete jurados decidiram se condenavam ou absolviam os réus. Após a sustentação oral feita pelo Ministério Público (MP) e pelos advogados dos réus, o júri votou. A leitura da sentença foi feita pela juíza Flávia Castellar Olivério. Na dosimetria da pena, a magistrada destacou que as consequências do delito são relevantes, pois “a vítima contava com apenas 19 anos de idade, tratando-se, portanto, de pessoa jovem, cuja perspectiva de vida foi retirada”, informou o TJ. 'Batalha da Inajar' Divulgadas imagens exclusivas do confronto entre torcedores em São Paulo O caso ficou conhecido como 'Batalha da Inajar' e ocorreu em março de 2012, antes de um jogo entre Corinthians e Palmeiras pelo Campeonato Paulista. O confronto ocorreu na Avenida Inajar de Souza e foi gravado por câmeras de segurança (veja vídeo acima). 'Era um menino de ouro', dizem amigas de torcedor morto em SP Família decide doar órgãos de jovem morto após briga de torcida em SP As vítimas palmeirenses eram da Mancha Alvi Verde e morreram após sofrer traumatismos durante a briga. Lezo morreu no mesmo dia do confronto. Guilherme morreu dois dias depois. Outros torcedores dos dois times também ficaram feridos durante a briga. Quem são os réus Torcedores foram mortos após confrontos entre membros de organizadas na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo, em 2012 TV Globo/Reprodução Carlos Roberto de Brito Júnior, 43 anos, o Neguinho: foi condenado pela morte de Guilherme Moreira. Recebeu pena de 16 anos e quatro meses de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e meio cruel. Respondia em liberdade, mas foi preso após a leitura da sentença. Mario Batista, 46 anos, o Magoo: foi condenado por rixa, mas como o crime prescreveu, a pena não será cumprida porque seria de seis meses a dois anos detenção. Desse modo, ele saiu livre do fórum. Antonio Alan Souza Silva, 48 anos, conhecido como Donizete: era presidente da Gaviões da Fiel na época do confronto. Foi absolvido. Mario José Carneiro Pieroni, 38 anos: foi absolvido. Reinaldo Gilberto Alves, 48 anos, o Ade: foi absolvido. Douglas Deungaro, o Metaleiro: ex-presidente da Gaviões da Fiel, foi absolvido. Rodrigo Reinaldet Daher, 48 anos, o Capetinha: foi absolvido. Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o Diguinho: ex-presidente da Gaviões da Fiel, foi absolvido. Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, 46 anos, o Ninja: foi absolvido. Wagner da Costa, 43 anos, o BO: ex-presidente da Gaviões da Fiel, foi absolvido. A investigação policial não identificou, porém, quem foram os responsáveis diretos pelos golpes que provocaram as mortes de André e Guilherme. Os dez acusados negam participação nos homicídios e também negam que tenham planejado o confronto. "Desde então meu cliente vive um inferno. O Douglas [Deungaro] sempre alegou inocência", disse nesta terça ao g1 o advogado Ricardo Martins, que defende um dos corintianos acusado. O g1 não conseguiu localizar as defesas dos demais réus para se posicionar sobre o julgamento. Processo dos palmeirenses Justiça decide que 19 envolvidos em morte de dois palmeirenses em 2012 vão a juri popular O processo sobre a "Batalha da Inajar" foi desmembrado e os réus ligados à torcida do Palmeiras serão julgados separadamente. Nove palmeirenses respondiam por associação criminosa. Segundo o TJ, ainda não há data definida para o julgamento deles. Todos respondem em liberdade. À época, alguns deles também tinham sido detidos, mas foram soltos depois. Um décimo palmeirense também havia sido pronunciado por associação criminosa, mas morreu durante o andamento do processo, e o caso contra ele foi extinto. Relembre o caso Briga entre torcidas aconteceu em avenida da Zona Norte de São Paulo em 2012 TV Globo/Reprodução O confronto ocorreu na manhã de 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo. Naquele domingo, Corinthians e Palmeiras se enfrentariam pelo Campeonato Paulista, no Pacaembu. Segundo a investigação da Polícia Civil, torcedores corintianos começaram a se organizar na noite anterior para armar uma emboscada contra os rivais. No dia seguinte, eles foram levados de ônibus até a região onde ocorreu a briga. Parte do grupo usava meias na cabeça para esconder o rosto e carregava barras de ferro, pedaços de madeira e fogos de artifício. Os palmeirenses haviam se reunido e caminhavam em direção à sede da Mancha Alvi Verde, na Rua Turiassu. Eles foram surpreendidos pelos corintianos na Avenida Inajar de Souza. Após briga, federação proíbe entrada de Mancha e Gaviões em estádios O grupo corintiano era numericamente superior e atacou os palmeirenses com barras de ferro, pedaços de madeira e fogos de artifício. André Lezo sofreu golpes na cabeça e morreu no mesmo dia. Guilherme sofreu traumatismo craniano e morreu dois dias depois. A investigação apontou que o confronto foi uma retaliação à morte de Douglas Karin da Silva, de 27 anos, torcedor do Corinthians encontrado morto no Rio Tietê em 2011. A denúncia do Ministério Público descreveu a participação atribuída a cada um dos réus na preparação e na execução do confronto. A investigação, porém, não identificou quem foram os responsáveis diretos pelos golpes que provocaram as mortes.

Fale Conosco