Brasileiro que morreu na Turquia após ser detido em centro de migração será enterrado em SP no sábado
O brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, que morreu na Turquia Arquivo pessoal O corpo do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, que morreu na T...
O brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, que morreu na Turquia Arquivo pessoal O corpo do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, que morreu na Turquia após ser detido em um centro de migração, será velado e enterrado no sábado (24), em São Paulo. A família questiona as circunstâncias da morte e cobra esclarecimentos das autoridades brasileiras e turcas. O velório está marcado para ocorrer das 12h às 16h, na Igreja Sal da Terra, na Rua Caio Graco, 263, na Vila Romana, Zona Oeste da capital paulista. O sepultamento será realizado às 17h, no Cemitério da Lapa, também na Zona Oeste. Lucas era natural do Rio Grande do Norte, trabalhava como programador e morava havia sete anos na Europa. Ele estava a passeio na Turquia quando, segundo familiares, se envolveu em uma discussão de cunho religioso e teve o rosto cortado. Após procurar as autoridades turcas para relatar o episódio, ele acabou detido e levado para um centro de detenção de migrantes na cidade de Esmirna, na costa ocidental do país. O último contato de Lucas com os familiares ocorreu em 8 de outubro, quando ele informou que estava detido e seria deportado para o Brasil. A previsão era que desembarcasse no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na segunda-feira (12). A mãe de Lucas chegou a passar o dia no aeroporto esperando o filho, mas foi informada pela companhia aérea de que ele não havia embarcado. Posteriormente, a ex-namorada do brasileiro recebeu um e-mail informando que ele havia sido encontrado morto em um quarto de hotel na Turquia. A informação sobre a morte foi confirmada pelo Consulado-Geral do Brasil em Istambul à Polícia Civil de São Paulo, segundo boletim de ocorrência registrado no 7º Distrito Policial da Lapa. A família, no entanto, afirma ter recebido informações contraditórias sobre o local da morte. Segundo os irmãos, uma outra versão apontava que Lucas teria morrido dentro do próprio centro de detenção migratória. Os parentes cobram explicações sobre o que aconteceu com Lucas e, especialmente, sobre como ele teria deixado o centro de detenção e ido parar em um hotel, já que acreditavam que ele permanecia sob custódia das autoridades turcas enquanto aguardava a deportação. Turista brasileiro é encontrado morto na Turquia Família cobra esclarecimentos Em entrevistas à TV Globo, os irmãos de Lucas descreveram o brasileiro como uma pessoa querida, que gostava de viajar e era uma referência para a família. "Ele era um cara muito querido por todo mundo. Um grande herói pra todos nós. Todos somos artistas, do marketing, profissionais do mercado, e ele é uma grande referência pra mim nisso. E hoje é um dos piores dias da minha vida", afirmou Felipe Medeiros, irmão de Lucas, à Inter TV. Outro irmão, Mateus Nascimento, afirmou que a família recebeu informações desencontradas das autoridades internacionais. "A única informação oficial que a gente tinha recebido é que meu irmão morreu de formas diferentes, eles já deram duas versões. Total falta de transparência, total falta de empatia", declarou. A família também reclamou da falta de apoio para o traslado do corpo. Segundo os parentes, o governo turco havia informado que não arcaria com os custos do procedimento. Mensagens do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, que morreu na Turquia Reprodução O que dizem as autoridades Em manifestação anterior ao g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso desde que foi notificado pelas autoridades turcas. "O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, tem conhecimento do caso e está em contato com a família, a quem tem sido prestada a assistência consular devida", informou o Itamaraty. O ministério afirmou ainda que não tem prerrogativa para fornecer informações sobre medidas tomadas pelas autoridades turcas e que, por questões de privacidade, não divulga detalhes de casos individuais de assistência consular. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou anteriormente que o caso compete à Polícia Federal e ao Consulado-Geral do Brasil em Istambul. No boletim de ocorrência, a Polícia Civil registra que a investigação de um eventual homicídio ocorrido fora do território brasileiro cabe, em princípio, às autoridades do país onde os fatos aconteceram. O documento prevê, porém, o encaminhamento do caso para avaliação de possíveis providências, inclusive de cooperação internacional.