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Cannabis medicinal: evento debate direito ao cultivo nesta quarta-feira, em Mogi das Cruzes

Cannabis medicinal: mãe organiza evento sobre acesso ao tratamento 🌱 O direito ao cultivo de cannabis para fins medicinais será tema de um encontro gratuit...

Cannabis medicinal: evento debate direito ao cultivo nesta quarta-feira, em Mogi das Cruzes
Cannabis medicinal: evento debate direito ao cultivo nesta quarta-feira, em Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução)

Cannabis medicinal: mãe organiza evento sobre acesso ao tratamento 🌱 O direito ao cultivo de cannabis para fins medicinais será tema de um encontro gratuito nesta quarta-feira (30), em Mogi das Cruzes. A segunda edição do Cannabis em Pauta acontece no Grow, no Centro, a partir das 19h, e reúne especialistas, pacientes e ativistas para discutir o habeas corpus de cultivo e o acesso ao tratamento. Entre os convidados estão profissionais das áreas de farmácia, biologia e direito, além de pessoas que utilizam a cannabis medicinal. A proposta é explicar os caminhos legais para o cultivo, esclarecer dúvidas sobre o tratamento e ampliar o acesso à informação. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Uma das organizadoras é Emília Santos Giovannini, presidente do Instituto Viver Ítalo. Em 2020, ela e o marido, Alberto Giovannini, conseguiram na Justiça o direito de plantar cannabis em casa e produzir artesanalmente o óleo de canabidiol (CBD) para tratar o filho Ítalo, diagnosticado com autismo e deficiência intelectual. Evento sobre cultivo da cannabis medicinal acontece em Mogi das Cruzes Larissa Rodrigues/g1 Para Emília, encontros como esse são importantes para combater o preconceito que ainda existe em torno da planta, principalmente entre famílias que poderiam buscar informações sobre o tratamento medicinal. "O preconceito se torna tão grande. Na forma de cultivar, o preconceito se torna maior, porque a pessoa vai estar ali de frente com a planta. O que faz ela quebrar esse preconceito é a necessidade e o depoimento de quem faz tratamento com a planta. É na conversa que a gente quebra esse preconceito, levando profissionais capacitados que mostram como a planta atua dentro do corpo", afirma. Uma história que começou dentro de casa A relação de Emília com a cannabis medicinal começou pela busca de alternativas para melhorar a qualidade de vida de Ítalo. Inicialmente, a família utilizava produtos comprados de associações, mas, segundo a mãe, os resultados não eram tão satisfatórios. Emília e Alberto cultivam a planta e produzem o óleo de CBD para o filho Ítalo Emília Santos Giovannini/Arquivo pessoal A mudança veio quando os pais decidiram produzir o próprio óleo, antes mesmo de conseguirem autorização judicial para o cultivo. Em junho de 2020, a família obteve um habeas corpus, concedido pela 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A decisão liminar permitiu que Emília e Alberto cultivassem a planta em casa e produzissem o óleo para o filho, que tinha 8 anos na época. Segundo Emília, a autorização definitiva veio no fim daquele mesmo ano. Hoje, seis anos depois, Emília relata mudanças importantes na rotina do filho. Ítalo continua não verbal, mas, segundo ela, apresenta melhoras no comportamento, na concentração e na interação com outras pessoas. "Antes a gente não conseguia sair, ir ao mercado, ao médico. Ele conseguia destruir um consultório médico. Hoje ele é supercarinhoso, a gente consegue sair, ir ao mercado, passear. Fizemos uma viagem para Foz do Iguaçu, que foi nosso maior desafio. É sobre esse amor, essa atenção, essa resposta que ele dá para a gente", conta. A mãe afirma que os avanços também são percebidos por profissionais que acompanham o adolescente. "Eu falo, mas sou suspeita. Quem dá uma resposta boa, que meus olhos enchem, são as professoras e terapeutas, que dizem que ele está respondendo melhor, tendo mais concentração. É uma coisa que vem de outras pessoas e mostra que é real." Informação e acesso ao tratamento Emília acredita que o Brasil avançou na discussão sobre o cultivo medicinal nos últimos seis anos, mas avalia que ainda existem obstáculos para as famílias que dependem desse tipo de tratamento. Ela associa o crescimento no número de habeas corpus concedidos à circulação de informações sobre a cannabis medicinal e aos relatos de pacientes e familiares que utilizam produtos derivados da planta. Apesar disso, ela destaca que conseguir uma autorização judicial não resolve todas as dificuldades. O cultivo exige tempo, dedicação e condições que nem todas as famílias possuem. "O Brasil precisa avançar mais, porque o habeas corpus é um dos caminhos mais indicados, mas nem todo mundo consegue plantar. Uma mãe nem sempre consegue plantar, principalmente quando ela tem que cuidar sozinha de um filho atípico. Eu consigo porque tenho ajuda do meu marido. O governo precisa se conscientizar e liberar esse remédio pelo SUS. Nem todo mundo consegue plantar, ainda mais com a vida corrida de uma mãe", afirma. Cultivo da cannabis exige tempo e dedicação de pacientes e familiares Fábio Tito/g1 Para ela, levar o debate a espaços públicos também é uma forma de alcançar pessoas que ainda têm receio de procurar informações sobre o assunto. Debate vai abordar direitos, limites e legislação O proprietário do Grow, Thiago Gal, que organiza o encontro ao lado de Emília, explica que a proposta do Cannabis em Pauta é aproximar diferentes públicos e abordar tanto o uso medicinal quanto as questões jurídicas e sociais relacionadas à planta. Segundo ele, a diferença na forma como as pessoas enxergam os termos "cannabis" e "maconha" mostra a importância de ampliar essa discussão. "Temos praticamente dois nomes, com dois pesos completamente diferentes, para falar da mesma planta. Cannabis e maconha. Quando a gente fala em cannabis medicinal, a ciência vem mostrando possibilidades que estão transformando a vida de muitos pacientes e famílias", diz. Thiago destaca que o encontro pretende esclarecer dúvidas sobre os caminhos legais para o tratamento, o funcionamento das associações, a importação de produtos dentro das regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os direitos e limites previstos atualmente. A programação desta quarta-feira terá como foco o habeas corpus de cultivo, instrumento jurídico utilizado por pacientes que buscam proteção judicial para plantar cannabis destinada ao próprio tratamento medicinal. "Queremos conversar com o paciente, com a família, mas também com o usuário adulto. Explicar quais são os caminhos legais, como funcionam as associações, como funciona o acesso ao tratamento, a importação dentro das regras da Anvisa e quais direitos e limites existem hoje", explica. O organizador também ressalta que a proposta não é apresentar apenas os possíveis benefícios da planta, mas abrir espaço para discutir riscos, efeitos e questões que ainda estão sendo estudadas. "Nosso objetivo não é romantizar a cannabis e falar somente dos prós. É também falar dos contras. Mas, sobretudo, é falar sobre ela. Trazer ciência, especialistas, informação e diálogo para a praça. Porque uma sociedade bem informada consegue tomar decisões melhores." Conheça os convidados Além de Emília, o encontro terá a participação de outros três convidados que atuam em diferentes áreas relacionadas à cannabis medicinal e ao cultivo: 💚 Emília Giovannini: presidente do Instituto Viver Ítalo, mãe atípica e neurotípica, técnica de Farmácia, ativista e estudiosa canábica; 🔬 Evellyn Sousa: bióloga, pesquisadora da cannabis medicinal e cofundadora do Instituto Viver Ítalo; ⚖️ Ewerton Carvalho: advogado ativista, cultivador de cannabis, presidente da associação Cannafrika e liderança do movimento negro; 💊 Daniele Teixeira: farmacêutica pós-graduada em Cannabis Medicinal e paciente que cultiva o próprio remédio com autorização judicial. Cannabis em Pauta 📅 Quando: quarta-feira (30) 📍 Onde: Grow – Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, 17, Centro, Mogi das Cruzes 🌱 Tema: Habeas Corpus de Cultivo 💲 Entrada: gratuita Programação 19h – Abertura 20h – Início do debate com os convidados 22h – DJ Assista tudo sobre o Alto Tietê

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