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Caso Gritzbach: júri de PMs acusados de matar delator do PCC ouve sobreviventes e viúva de vítima de ataque em Guarulhos

Fachada do Fórum de Guarulhos Leonardo Zvarick/g1 A primeira testemunha do júri popular dos três policiais militares acusados de participar do assassinato do...

Caso Gritzbach: júri de PMs acusados de matar delator do PCC ouve sobreviventes e viúva de vítima de ataque em Guarulhos
Caso Gritzbach: júri de PMs acusados de matar delator do PCC ouve sobreviventes e viúva de vítima de ataque em Guarulhos (Foto: Reprodução)

Fachada do Fórum de Guarulhos Leonardo Zvarick/g1 A primeira testemunha do júri popular dos três policiais militares acusados de participar do assassinato do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Antônio Vinícius Gritzbach foi William Souza Santos, uma das vítimas do ataque ocorrido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O julgamento começou nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ao todo, estão previstas 21 testemunhas. A previsão é a de que o julgamento dure cinco dias, com as sessões começando sempre às 10h. O Conselho de Sentença é formado por quatro homens e três mulheres. William, que trabalhava no aeroporto havia sete anos, afirmou que não conhecia nenhuma das vítimas nem conseguiu identificar os atiradores. "Era uma sexta-feira. Normalmente o aeroporto é movimentado, mas naquele horário nem tanto. Mais tarde, com o embarque e desembarque de passageiros e a chegada dos funcionários, o fluxo seria bem maior", relatou. Segundo ele, nada chamou sua atenção até o momento em que um carro parou próximo à faixa de pedestres onde conversava com um amigo. "Reparei quando o veículo parou e, logo em seguida, ouvi um barulho que parecia rojão", disse. Durante o ataque a Gritzbach, William foi atingido em três dedos da mão. Em depoimento, afirmou que não presenciou nenhuma discussão antes dos disparos e que viu apenas o carro dos atiradores parar no local. Depois dos tiros, avistou apenas o corpo do empresário caído no chão. A segunda testemunha foi a gerente de TI Samara. Ela estava retornando de uma viagem a Salvador, na Bahia. Ia pedir um carro de aplicativo quando ouviu os tiros. Disse que ficou paralisada no primeiro momento e correu para trás de uma coluna com outras pessoas. Foi quando se deu conta de que tinha sido baleada na barriga, mas parecia ser algo superficial. "Eu estava bem atrás, só ouvi os barulhos dos tiros e depois os gritos. Não vi o carro nem as pessoas que desceram atirando. Eram muitos tiros, na hora achei um barulho agudo, achei que fosse outra coisa, nunca tinha ouvido. Foram rajadas, aí teve uma pausa, vários tiros de novo e daí parou", relatou. Samara disse ter feito acompanhamento psicológico por um tempo, após o episódio, mas que atualmente está bem. A terceira testemunha da acusação a ser ouvida foi Simone Novais, funcionária pública. Ela era esposa do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, que também morreu no crime. Simone contou que soube que algo tinha acontecido quando um amigo ligou para ela, depois recebeu um vídeo de dentro da ambulância em que ele falava: "Levei um tiro, estou dentro da ambulância". Foi a última vez em que falou com o marido, com quem tem três filhos. "Não estamos conseguindo seguir com a vida, me preocupa especialmente o filho de 15 anos, eles eram muito apegados", afirmou. Ela disse também que, depois da morte de Celso, sua vida financeira ficou "uma bagunça". Samara só viu Celso quando ele foi para a UTI, entubado. Os filhos também o viram, o mais novo chegou a chacoalhar o pai pedindo: "Levanta, levanta". "Foi desesperador ver meu filho puxando ele para levantar. O de 15 anos se fechou ali." A quarta testemunha de acusação foi o perito criminal Leandro, responsável pela análise dos vestígios do caso. Ele afirmou que a perícia realizou um escaneamento do local do crime e identificou 27 disparos de fuzil — 21 de calibre 7.62 e seis de 5.56. Segundo o perito, um dos tiros atingiu uma área interna do aeroporto a mais de 80 metros de distância e poderia ter acertado uma pessoa na cabeça. A perícia também verificou danos em um ônibus da GCM, possivelmente causados por ricochete. Os réus que respondem ao processo são: Fernando Genauro da Silva, tenente da Policia Militar (PM), acusado pela Promotoria de dirigir o carro usado na fuga pelos atiradores que mataram o delator da facção; Denis Antonio Martins, cabo da PM, responsável por atirar em Gritzbach, segundo a acusação; Ruan Silva Rodrigues, soldado da corporação, que também atirou no empresário, de acordo com o MP. Os três estão presos e são acusados de homicídio qualificado pela morte de Gritzbach e do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio, já que outras pessoas ficaram feridas no episódio. Os advogados dos três afirmam que eles são inocentes e dizem que "houve um direcionamento investigativo voltado à sua incriminação, sem a devida apuração de fatos e circunstâncias envolvendo outros investigados" (leia mais abaixo). Gritzbach foi morto com tiros de fuzil na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 8 de novembro de 2024. O motorista, que não o conhecia, foi atingido por um disparo durante o ataque e morreu. Caso Gritzbach: a ‘Caixa de Pandora’ Antes de ser executado, o empresário havia delatado ao Poder Judiciário um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e policiais corruptos. Em troca, receberia o benefício da redução da sua pena caso fosse condenado por lavagem de dinheiro para as facções. O julgamento dos policiais será conduzido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, da Vara do Júri de Guarulhos, e contará com a atuação dos promotores de Justiça Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes. Ao todo, 21 testemunhas devem ser ouvidas durante o processo, entre acusação e defesa. Como funciona o júri popular Caso Gritzbach escancarou o envolvimento de policiais com facções Arte/g1 O Tribunal do Júri começa com o sorteio dos jurados: 25 pessoas são convocadas, e sete são escolhidas para formar o Conselho de Sentença, responsável por decidir pela condenação ou absolvição dos réus. Depois da leitura do processo, são ouvidas as testemunhas de acusação e realizados os interrogatórios dos acusados. Em seguida, acusação e defesa apresentam seus argumentos em debates que podem durar horas, com possibilidade de réplica e tréplica. Ao final, os jurados se reúnem para votar os quesitos de decidir se condenam ou absolvem os réus. Em seguida, o juiz define a dosimetria da pena e profere a sentença com base na decisão do Conselho de Sentença. Os PMs Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva serão julgados pelo Tribunal do Júri Reprodução Outros réus O réu Kauê do Amaral Coelho, conhecido como "Jub" ou "Jubileu" e apontado como o "olheiro" está foragido. A defesa apresentou recurso e o processo foi desmembrado. Outros dois réus, Diego dos Santos Amaral, conhecido como "Didi", e Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", "João Cigarreiro", "Bill" ou "Pai", apontados como mandantes do crime, também estão foragidos. Segundo o processo, eles não foram citados nem constituíram defesa, motivo pelo qual a ação em relação aos dois permanece suspensa. O que diz a defesa dos réus "A defesa de Fernando Genauro, Denis e Ruan reitera que os três acusados, desde o primeiro momento, negam qualquer participação no homicídio de Antônio Vinicius Gritzbach e sempre sustentaram que houve um direcionamento investigativo voltado à sua incriminação, sem a devida apuração de fatos e circunstâncias envolvendo outros investigados. Após a deflagração de investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar a atuação de policiais civis supostamente vinculados ao crime organizado, os policiais civis Fábio Baena e Eduardo Monteiro foram presos temporariamente em 13 de dezembro de 2024, por determinação judicial, após representação da própria Polícia Federal. Na ocasião, aparelhos celulares foram apreendidos e dados armazenados em nuvem passaram por análise pericial especializada. As perícias realizadas pela Polícia Federal identificaram elementos considerados relevantes para a investigação. Entre eles, consta que, em 11 de novembro de 2024, Eduardo Monteiro promoveu a reinicialização de seu aplicativo de mensagens. No dia seguinte, 12 de novembro, providenciou a exclusão de todas as gravações do sistema DVR de sua residência. Já em 22 de novembro de 2024, utilizou o aparelho celular de sua esposa para realizar pesquisas relacionadas à possível prisão de Mateus e Kaue. Kaue foi apontado como olheiro do crime, que estava dentro do aeroporto de Guarulhos, Já o mandado de prisão de mateus, foi inserido no Banco nacional de mandados de prisão apenas no dia 26 de novembro, sendo cumprido apenas em nove de dezembro, “a defesa dos policiais trata essa evidência como um grande indicativo da participação de Eduardo Monteiro no homicídio, como monteiro sabia da existência de Mateus? A única possibilidade seria ele saber quem executou Gritzbach” O crime ocorreu às 16 horas e quatro minutos segundo as câmeras do aeroporto, aproximadamente 30 minutos após o fato Fabio Baena e Eduardo Monteiro se comunicam por chamada de áudio. Após as 16:45 Fabio Baena bloqueia o contado do advogado Ahmed Hassan Saleh – “Dr. Mudi” aquele que possuía ligações estreitas com os policiais ora investigados e foi gravado em ligação oferecendo 3 milhões de reais pela morte de Vinicius Gritzbach. As investigações evidenciam ainda preocupação de Baena e Eduardo Monteiro com a repercussão jornalística do caso, trocando mensagens com links de reportagens sobre o caso. Os três acusados serão defendidos pelos advogados Claudio Dalledone Junior, Renan Canto, Mauro Ribas, Renato Soares, Nayara Thibes e Taynara Sturaro." Gritzbach: por que 3 investigações apuram ligaçao de delator com policiais e facções Segurança reforçada O Fórum de Guarulhos terá um esquema especial de segurança para o julgamento. Para garantir a integridade dos trabalhos e das pessoas envolvidas no julgamento, a presidência do tribunal determinou a suspensão das audiências de outros processos ao longo do período. A medida foi adotada de forma preventiva. Durante os dias do júri, o fórum passará por um bloqueio temporário, com circulação restrita às pessoas diretamente ligadas ao caso. Segundo o tribunal, o objetivo é limitar o trânsito de testemunhas e partes de outras ações, reduzindo riscos de interferências ou contatos indevidos. O esquema contará com apoio de grupos táticos da polícia, que atuarão em conjunto com o policiamento rotineiro no monitoramento e na proteção das dependências do prédio. O controle de acesso também será reforçado. A sala do júri tem capacidade para 80 pessoas e será ocupada apenas por magistrados, promotores, advogados, réus, jurados e servidores do tribunal. Não será permitida a entrada de público sem vínculo direto com o julgamento.

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