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Como é viver nos prédios tortos de Santos? Obras podem mudar a realidade de centenas de moradores

Plano com novos estudos e financiamento pode corrigir prédios tortos em Santos Os prédios tortos de Santos, no litoral de São Paulo, viraram quase pontos tur...

Como é viver nos prédios tortos de Santos? Obras podem mudar a realidade de centenas de moradores
Como é viver nos prédios tortos de Santos? Obras podem mudar a realidade de centenas de moradores (Foto: Reprodução)

Plano com novos estudos e financiamento pode corrigir prédios tortos em Santos Os prédios tortos de Santos, no litoral de São Paulo, viraram quase pontos turísticos da orla. No entanto, o cenário pode se tornar preocupante no futuro. Por isso, um modelo de financiamento para as obras de reaprumo, que ocorreria de forma inédita, ainda está sendo estudado e pode mudar a vida de centenas de moradores dos prédios tortos de Santos. Hoje, eles vivem sobre variadas inclinações e acostumados com pequenas mudanças no dia a dia. A manutenção nos edifícios, por exemplo, exige atenção e cuidado. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. “Para manter um prédio inclinado, tem muitos gastos, como troca de coluna toda hora”, afirmou a presidente da Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI), Eliana de Mello, que é síndica de um dos prédios na orla de Santos. De acordo com ela, há um engenheiro responsável que precisa autorizar qualquer obra, exceto pintura, que seja feita no prédio. Isso porque os edifícios devem emitir laudos comprovando que não há risco estrutural. Segundo ela, a manutenção dos elevadores de um prédio com duas torres custa, aproximadamente R$ 13 mil mensais. Santos, SP, tem 65 prédios tortos na região da orla da praia A Tribuna Jornal “Não é fácil faço você administrar um prédio inclinado, porque os custos são muito altos”, afirmou a presidente da Acopi. Apesar disso, segundo ela, os problemas não interferem muito na vida dos moradores, que estão acostumados com serviços no prédios. "Os síndicos se conscientizaram que têm que fazer muita manutenção para não deixar deteriorar e acabar a vida útil mais rápida do prédio. Então, o cuidado é sempre muito grande”, relatou. Anteriormente, outras duas moradoras de edifícios tortos relataram ao g1 que as rotinas são normais, com pequenas adaptações. “A gente se acostuma né? Só tem um pouco de inclinação, as portas fecham sozinha e a bolinha sai rolando", disse Maria Inês Chedid, na ocasião. A mulher relatou, ainda, que já sofreu com tontura na saída do elevador, mas o corpo rapidamente se acostuma e há quem nem perceba a inclinação de dentro do edifício. Vídeo mostra situações enfrentadas por quem mora em prédios tortos em Santos, SP Perigo a longo prazo Atualmente, os 319 prédios inclinados em Santos não correm risco estrutural. Segundo a prefeitura, laudos técnicos são emitidos a cada dois anos. No entanto, a inclinação dos edifícios pode ocasionar problemas no futuro. Por isso, o reaprumo é essencial. “Um prédio não foi feito para ficar inclinado. O prédio deve ser feito para ficar sempre no prumo. Então, toda vez ele vai se inclinando, vão aparecendo esforços novos na estrutura para a qual ela não foi projetada. Existe um momento em que a inclinação fica tão grande em que o edifício tem perigo de ruir.”, afirmou o engenheiro Paulo Pimenta. Prédios tortos na orla de Santos (SP) Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal Reaprumo A busca por uma proposta para corrigir a inclinação dos prédios une a Prefeitura de Santos e a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI). No fim de março, uma reunião no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi marcada pela apresentação de uma sugestão: a criação de um nova modalidade de financiamento que permita contemplar as obras de reaprumo dos prédios. A ideia é que o banco permita, por meio de financiamento, que o dinheiro chegue aos moradores. Para isso, a Prefeitura de Santos atuaria como terceiro garantidor junto ao BNDES. ❓ terceiro garantidor é uma segurança ao banco de que a dívida será quitada caso o tomador do recurso não honre os pagamentos. Um dos modelo de engenharia que mostram que a correção da inclinação dos prédios é possível é o edifício Núncio Malzoni, que era inclinado 2,2° em um dos seus blocos e, 1,8° em outro. As estruturas foram arrumadas nos anos 2000. (veja no infográfico abaixo) Na época, a obra foi custeada com recursos próprios dos moradores e consistiu em 'erguer' o prédio e alinhá-lo com o uso de macacos hidráulicos. Os pilares foram apoiados e, com o prédio suspenso, foi executada uma nova fundação. O processo foi acompanhado por engenheiros da área, como Paulo Pimenta, que foi contratado recentemente para elaboração de novos estudos em outros quatro prédios na orla. Infográfico mostra onde estão concentrados os prédios tortos e como é composto o solo na região. Arte/g1 VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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