De 'CEO' a 'frentista': cães comunitários recebem cuidados em comércios do interior paulista
Cães comunitários recebem cuidados em comércios do interior paulista Uma loja de variedades na região central de Avaré (SP) ganhou um novo "chefe": um cão...
Cães comunitários recebem cuidados em comércios do interior paulista Uma loja de variedades na região central de Avaré (SP) ganhou um novo "chefe": um cão comunitário apelidado de Boleto. Há dois meses, o animal passou a frequentar o local e foi adotado por funcionários. Em um vídeo publicado nas redes sociais do comércios, as funcionárias aparecem alimentando Boleto. Após cumprir as obrigações "trabalhistas", como receber carinho, ração, petiscos, água fresca e animar o ambiente, o cão aproveita o tapete, onde deita, rola, recebe carinho e descansa enquanto espera as próximas atividades diárias do seu "cargo". 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Na descrição da publicação, o comércio brincou que Boleto trabalha pouco, ganha carinho, consegue fiscalizar deitado e ainda é o "funcionário" mais querido da empresa. E ainda explica a definição de "CEO": come, encosta e observa. "Ele é exigente, no bom sentido, exige carinho, ração e atenção. É muito brincalhão, amoroso e alegre", contou Vinicius Rodolfo de Souza Assis, gerente de marketing da loja, ao g1. Vinícius explicou que a loja é um espaço pet friendly, ou seja, aberto para os animais, e que os funcionários têm o costume de cuidar dos animais que não têm um lar, oferecendo comida, água e afeto. Boleto é o cão comunitário de uma loja de variedades em Avaré (SP) Mini Money de Avaré/Arquivo pessoal Boleto surgiu de forma repentina e constante. Em um dia normal, ele chegou, ganhou os cuidados, se deitou e dormiu. No dia seguinte, surgiu novamente. Depois, voltou outras três vezes, até que passou a ser presença constante na loja. "Hoje a gente brinca que ele trabalha em escala 12x36: aparece um dia, falta no outro. Além daqui, ele também passa no espetinho perto da loja e em algumas casas da região", relatou. O apelido Boleto surgiu em tom de brincadeira entre os funcionários. "Ele chega todo dia, sem pedir licença, sempre no horário certo e já exigindo recursos. Assim como o boleto da vida adulta, ele aparece, a gente aceita e paga com ração e carinho." Apesar da fama e presença constante no comércio, Boleto ainda não foi adotado por um tutor oficial, o que gera preocupação entre os cuidadores. Vinicius estima que o cão macho tenha entre cinco e sete anos. "O Boleto é extremamente carinhoso e brincalhão. Com certeza merece um lar cheio de amor." Para o gerente, o cão não é apenas um animal, mas, sim, a representação de como as pessoas deveriam ser. Mesmo sem um lar fixo, ele exala alegria, amor, carinho e esperança, sendo um símbolo de afeto e até conseguindo mudar o dia das pessoas com a sua presença. "Todo animal merece amor e cuidado. Em meio a tanta crueldade no mundo, pequenas atitudes fazem diferença e provam que o amor sempre compensa", completou Vinicius. Os interessados em adotarem Boleto podem entrar em contato pelo telefone (14) 99820-7357 ou comparecer presencialmente à loja, localizada na Rua Pará, 1.451, no Centro. Maurício, o 'gerente' Em um boteco de Itapeva (SP), o cão Maurício assumiu o papel de "gerente" e exerce diversas funções no local Fernando Glauser Moreira/Arquivo pessoal Em um boteco de Itapeva (SP), um cão também chegou assumindo o papel de "gerente". O animal, apelidado de Maurício, frequenta o local há cerca de um ano, exercendo funções de grande responsabilidade: correr atrás dos clientes, supervisionar o funcionamento e morder a perna dos mais distraídos. Ao g1, o proprietário de um dos estabelecimentos onde Maurício fica, Fernando Glauser Moreira, explicou que a relação com o cão surgiu naturalmente. "Ele é mais mandão, meio 'chefe' mesmo. Chegou assumindo o papel de 'gerente da cachorrada da esquina'", citou. Segundo o proprietário, Maurício tem uma rotina "puxada": trabalha à noite no boteco e, durante o dia, costuma dormir em uma farmácia 24 horas de Itapeva. O proprietário acredita que o animal passeia bastante por estabelecimentos porque gosta de movimento e de estar no meio das pessoas. Por meio da união de comerciantes, o cão recebe os cuidados necessários, desde alimentação e hidratação até vacinação e atendimentos médicos. Além de prezar pelo bem-estar do animal, os comerciantes sempre se comunicam sobre a localização de Maurício e se o cão está precisando de algo. Na cidade, Maurício é considerado uma figura pública. Tira foto com moradores, ganha carinho e participa de brincadeiras. "Um boteco movimentado, com cães e gatos por perto, traz uma energia amorosa, positiva. Mostra que nossos clientes são pessoas boas. No fim das contas, é sobre convivência, empatia e fazer o bem. Brincamos que já é um patrimônio tombado de Itapeva", disse Fernando. Aqueles que tiverem interesse em dar um lar definitivo a Maurício devem procurar o estabelecimento, que fica na Avenida Coronel Acácio Piedade, 329, em Itapeva. Negão e Loira, os 'frentistas' Há dez anos, um posto de combustíveis em Itapetininga (SP) conta com dois 'frentistas' apelidados de Negão e Loira Paulo Adriano de Oliveira/TV TEM A relação entre funcionários de um posto de combustíveis em Itapetininga (SP) e um casal de cães já dura dez anos. No estabelecimento, Negão e Loira acompanham a movimentação, recepcionam os clientes e verificam os trabalhos realizados. Conforme a proprietária do local, Rosangela Callegari, o comércio arca com todas as despesas dos dois animais. Há quase um ano, Negão foi atropelado no local por um motorista que relatou não tê-lo visto. Atualmente, ele usa uma roupa reflexiva para evitar outros acidente. Ao g1, um dos frentistas relatou que os cães convivem desde que chegaram ao posto. "São 'funcionários' exemplares. Não faltam, não reclamam e são super responsáveis. Eles vão ficar aqui até o último dia deles. Fazem a alegria do posto e dos clientes. Tem cliente que desce do carro para conversar com eles. Eu amo os bichinhos", relatou a proprietária. Dois 'frentistas' ficam sob cuidados do posto de combustíveis, administrado por Rosangela Callegari Paulo Adriano de Oliveira/TV TEM Luizinho, o 'subsecretário' A presença de animais comunitários não está restrita aos comércios em Itapetininga. Na Subsecretaria Municipal de Defesa Animal, o cão Luizinho, um vira-lata caramelo, chegou de forma sutil. O nome escolhido para o animal veio do funcionário Luís Fernando Rodrigues, que foi um dos primeiros a oferecer cuidados ao bichinho. "A gente acolheu ele, não apareceu ninguém procurando, a gente esperou, postou foto em redes sociais esperando que aparecesse. Ele não era um cão totalmente abandonado. Nunca ninguém reclamou da falta dele e ele acabou ficando por aqui", relembra o assessor. Além de receber alimentação, ele foi vacinado e castrado. E contagiou não apenas Luiz, mas outros funcionários que também zelam pelo bem-estar do cão. Em Itapetininga (SP), a Subsecretaria de Defesa do Animal possui um 'funcionário' especial: o cão Luizinho Paulo Adriano de Oliveira/TV TEM Cães comunitários Conforme o advogado e professor de direito penal em Itapetininga Tiago Rechinelli Vieira de Paula, o animal comunitário é aquele que vive em espaços públicos, sem tutor individual e definido, mas que estabelece vínculos de convivência e cuidado com a comunidade ao seu redor. "Trata-se de animal não domiciliado, sobre o qual não recai relação jurídica de posse ou propriedade." Em março de 2025, Itapetininga aprovou uma lei municipal que regulamenta a proteção e o cuidado com os animais comunitários. A legislação busca definir os animais e seus tutores, e os direitos e benefícios, monitoramento, proteção e penalidades. Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM