De quem já passou para quem quer passar: aprovados na Unicamp dão dicas para encarar o vestibular
De veterana para calouro: a menos de uma semana da prova, aprovadas dão dicas para encarar a reta final Arquivo Pessoal Revisar em vez de aprender conteúdos n...
De veterana para calouro: a menos de uma semana da prova, aprovadas dão dicas para encarar a reta final Arquivo Pessoal Revisar em vez de aprender conteúdos novos, não descuidar das leituras obrigatórias, treinar redação, buscar apoio de colegas e professores, evitar excessos e mudanças na rotina e preservar a saúde mental. Essas são algumas das dicas compartilhadas por duas estudantes aprovadas na Unicamp, que relembraram os desafios da preparação e contaram quais estratégias consideram decisivas para chegar mais confiantes aos dias de prova. No domingo (18), 58.431 candidatos prestam a 1ª fase do Vestibular 2027 da Unicamp e iniciam a disputa por 2.523 vagas em 70 cursos de graduação. O exame será aplicado em 33 cidades paulistas e seis capitais brasileiras. 📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou, uma iniciativa do g1 Campinas para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes. LEIA TAMBÉM: Vestibular da Unicamp: tamanho de nuvem em questão de química já foi decisivo Matemática sem decoreba: como a Unicamp testa raciocínio além das fórmulas Veja 5 dicas da campeã Hortência para encarar os vestibulares com mente de atleta El Niño e La Niña: o que revisar para a 1ª fase da Unicamp Unicamp 2027: veja como revisar as obras obrigatórias do vestibular sem reler todos os livros Na reta final da Unicamp, professores revelam o que fariam se fossem vestibulandos Clara de Castro Azevedo, 20 anos - Pedagogia A estudante Clara de Castro Azevedo, de 20 anos, foi aprovada em primeira chamada em Pedagogia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2024. Moradora de Salto (SP), ela já havia participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como treineira e candidata regular, mas prestou vestibular apenas para a Unicamp. Clara organizava os estudos de forma independente, mas contava com o apoio dos professores para permanecer na escola após as aulas. Na reta final da preparação, a estudante estudava cerca de duas horas por dia. Por causa do desgaste emocional, passou a priorizar simulados cronometrados e revisões separadas por disciplina, especialmente de Língua Portuguesa. Clara de Castro Azevedo, 20 anos - Pedagogia Arquivo pessoal Estudo em grupo e literatura Além dos estudos individuais, Clara trocava estratégias e conteúdos com amigos e acompanhava notícias e temas atuais que poderiam ser cobrados no vestibular. A estudante destaca que as leituras obrigatórias devem ser uma prioridade durante a preparação. Segundo ela, obras como as canções de Cartola, textos de Conceição Evaristo e Alice no País das Maravilhas tiveram peso importante na prova de Língua Portuguesa e foram cobradas diretamente em várias questões. "Eu vi amigos que falaram: 'ah, não, eu vejo a leitura para depois, eu vejo a leitura para depois' mas são várias questões que caem, são questões, né? Pensa em três, quatro, cinco, seis, sete questões que você acaba perdendo porque você não leu", explicou. Para ela, o principal erro da preparação foi não dedicar mais tempo ao treino de redação. No dia da prova, optou pelo gênero carta-denúncia porque dominava sua estrutura básica, enquanto se sentia menos preparada para escrever o discurso proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). Cuidado com alimentação Clara contou que um dos momentos mais difíceis foi quando, depois do primeiro dia da a segunda fase do vestibular, comeu um cachorro-quente para comemorar e teve uma intoxicação alimentar. Ela precisou fazer o exame medicada. "Não sei como eu passei na segunda fase até hoje", contou. Com a experiência, ela recomenda que os candidatos evitem mudanças bruscas na rotina, alimentos diferentes dos habituais e atividades físicas intensas nos dias que antecedem as provas. Insegurança Clara também enfrentou episódios de ansiedade por conta da pressão para ser aprovada e a preocupação com o futuro, e revelou que até chorava na escola. Nos períodos mais difíceis, buscava apoio em amigos e professores com quem se sentia mais à vontade para compartilhar as preocupações e inseguranças. "Não é uma orientação fácil de seguir, mas você tem que confiar no que você fez até então", afirmou. Nuemo Lima de Oliveira, 19 anos - Comunicação Social / Midialogia Nuemo Lime de Oliveira, 19 anos - Comunicação Social / Midialogia Arquivo Pessoal Vinda de Guarulhos (SP), a estudante de Comunicação Social - Midialogia, Nuemo Lima de Oliveira, de 19 anos, foi aprovada na primeira chamada do Vestibular Unicamp 2026. Ela cursou o ensino fundamental em escola estadual e concluiu o ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Nuemo relembra que o último ano antes da aprovação foi marcado por uma rotina intensa: "além do vestibular, eu estava no último ano da escola. Para fazer curso técnico, tinha que fazer TCC, fazer muita atividade extracurricular também, que a escola oferecia. Então foi bem corrido". Ela também conciliava os estudos durante a semana com o trabalho aos sábados. Com a proximidade das provas, decidiu deixar o emprego para reservar mais tempo ao descanso. 'Eu parei de trabalhar porque eu sabia que eu precisava desse dia antes para descansar. E aí, pô, eu não revisava nada, eu só tirava o tempo para mim para descansar, para me cuidar e estar com a cabeça em ordem, sem nenhum estresse', comentou. Formas de estudo Na reta final, a estudante concentrou os estudos na resolução de provas anteriores. "Eu focava mais nas disciplinas que eu tinha mais afinidade, ou que eu não achava tão complicado assim.E aí eu focava mais em revisar o que eu já sabia, ou aprender coisas novas que eu já eliminava", explicou. Além do estudo individual, Nuemo recorria a professores e colegas para discutir dúvidas e revisar questões erradas. Ela também destaca a preparação para a redação. Segundo a estudante, uma professora de língua portuguesa aplicava exercícios frequentes de escrita e promovia debates sobre os textos produzidos pela turma. Após a aprovação para a segunda fase, a estratégia mudou. O foco passou a ser exclusivamente as disciplinas cobradas nas provas específicas. Descanso Para a estudante, os fatores mais importantes durante o ano de preparação foram o acompanhamento psicológico e as atividades que contribuíam para seu bem-estar. "Eu nunca deixei de sair, eu nunca deixei de participar das coisas que eu já participava, porque eram coisas que me faziam bem e aí eu sabia que isso ia servir também pra pra manter minha mente em ordem", contou. A estudante também recomenda evitar mudanças bruscas na rotina nos dias que antecedem o exame. "Tem gente que pira e passa dias e noites estudando, sendo que a pessoa não tem esse hábito. Então, perto do dia da prova, fazer o máximo para não mudar a rotina, tipo, acordar no mesmo horário todo dia, fazer as mesmas coisas todo dia, até alimentação, evitar comer coisa diferente para o seu corpo entender que está tudo bem", disse. Organização, equilíbrio emocional e foco em atualidades O diretor pedagógico Luccas Zillig afirma que o momento da reta final não é mais de estudar intensamente. A dica é descansar o corpo e a mente, e manter o sono em dia para conseguir manter a concentração na hora do vestibular. Ele também alerta que abrir os livros didáticos na reta final pode aumentar a insegurança caso o estudante se depare com um assunto que não domina totalmente. "Agora é a hora da gente fortalecer a nossa confiança", reforçou. Organização para o dia da prova Luccas recomenda que o candidato conheça previamente o local do exame e planeje a logística do deslocamento, considerando que deve haver trânsito no dia. Ele também orienta ter atenção com a alimentação durante a prova. "Não é legal levar coisas gordurosas pra comer porque a digestão da gordura é mais lenta. É bacana levar alimentos que são ricos em carboidrato de absorção rápida, e, principalmente, água", afirmou. Sobre o look da prova, Luccas defende o conforto: "Tem que ir de bermudão, chinelo, como eles se sentem à vontade pra fazer a prova". Foco em atualidades Na avaliação de Luccas, quem quiser manter algum contato com os estudos deve focar em atualidades, relembrando acontecimentos do ano. "Por exemplo, coisas que aconteceram nesse ano: bactéria resistente dentro do detergente, hantavírus, todos os conflitos envolvendo Israel e Palestina... Todos esses fatores podem aparecer dentro da prova da Unicamp, que é uma prova extremamente contextualizada", explicou. Mas atenção: nada de ficar sentado, estudando por horas seguidas. "Nessa altura a gente precisa descansar, até para o nosso cérebro poder consolidar aquilo que ele aprendeu durante o ano", disse o diretor. Equilíbrio emocional Luccas destaca que um estudante bem preparado academicamente pode ter dificuldades se estiver emocionalmente abalado. "Você pode ser o melhor aluno durante o ano inteiro, se você não tá emocionalmente regulado, já era", afirmou. Como forma de amenizar a ansiedade, ele recomenda a meditação e outras estratégias, como prestar atenção às próprias ações ou à respiração. "A meditação é comprovadamente eficaz para regular situações de estresse emocional. Existem vários tipos de meditação, mas qualquer uma delas vai ajudar a diminuir o cortisol do sangue e deixar o aluno mais calmo. Às vezes, tomar um banho quente, tomar um líquido quente, perceber que está tomando, tentar focar naquilo que ele tá fazendo na hora, isso costuma ajudar bastante", recomendou. Segundo dia de prova da segunda fase do vestibular da Unicamp ocorre nesta segunda (2°) Pedro Amatuzzi/g1 *Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro. VÍDEOS: dicas, revisão e estratégias para mandar bem nas provas Veja mais notícias da região na página do g1 Campinas.