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'Desequilíbrio': mães solo lideram oito de cada dez domicílios com apenas um genitor em Campinas

Danielle Scalabrini mora sozinha em Campinas com os filhos Júlia e André Divulgação Oito de cada dez domicílios monoparentais — com apenas um genitor —...

'Desequilíbrio': mães solo lideram oito de cada dez domicílios com apenas um genitor em Campinas
'Desequilíbrio': mães solo lideram oito de cada dez domicílios com apenas um genitor em Campinas (Foto: Reprodução)

Danielle Scalabrini mora sozinha em Campinas com os filhos Júlia e André Divulgação Oito de cada dez domicílios monoparentais — com apenas um genitor — são liderados por mães solo em Campinas (SP). Ao todo, 55.674 residências da cidade são compostas por mulheres e seus filhos. "Há um desequilíbrio, né? A gente vive numa sociedade onde a mulher assume esse papel naturalmente de cuidar. E assim, sempre que alguém assume, alguém deixa de ter a responsabilidade", atentou a bancária Danielle Keller Scalabrini, de 37 anos, divorciada e com a guarda unilateral dos dois filhos. Os dados, levantados por meio do Censo 2022, foram divulgados em uma nova plataforma lançada na semana passada pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para reunir números relacionados às mulheres. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O objetivo da nova plataforma é "facilitar o acesso da sociedade às informações e servir de base para análises, pesquisas e políticas públicas baseadas em evidências", segundo o IBGE. Esse cenário se estende a Sumaré (SP), Indaiatuba (SP), Hortolândia (SP) e Americana (SP), que completam os cinco municípios mais populosos da região de cobertura do g1 Campinas. Em entrevista, mãe solo aponta a necessidade da sociedade refletir sobre o desequilíbrio da "balança dos lares monoparentais", já que mulheres têm ficado sobrecarregadas com as responsabilidades. 🔎 O que são os domicílios monoparentais? É quando um dos pais assume a responsabilidade de criar os filhos. Portanto, apenas um dos pais (pai ou mãe) vive com filhos, enteadas ou crianças sob sua responsabilidade, sem a presença de marido/esposa ou de companheiro/companheira na casa. Tendência histórica no Brasil Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a pesquisadora Glaucia Marcondes, coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (Nepo), da Unicamp, há várias situações que levam às residências monoparentais: Maternidade precoce; Os genitores nunca terem morado junto; Desconhecimento de um dos genitores; Divórcio (separação); Morte de um dos genitores; Abandono de um dos genitores. No entanto, o fato de, em grande parte, as mulheres liderarem esses domicílios é reflexo de uma tendência histórica no Brasil, independentemente da classe social. "A razão principal é que, quando acontece uma separação de casais, os filhos tendem a ficar com as mães. Décadas atrás, essa proporção era ainda maior, era quase 100%". analisou. "Agora, com o passar dos anos, a gente vê uma redução dessa proporção porque você tem guarda compartilhada, mas a tendência ainda é de monoparentais femininas. Essa é realidade", comentou Marcondes. Mais de 50 mil domicílios monoparentais De acordo com os dados do Censo, Campinas tem 55.674 famílias com apenas um genitor liderados por mães solo. O número representa 86,2% dos lares monoparentais da cidade. Ainda na região de cobertura do g1 Campinas, as outras quatro cidades mais populosas têm proporção semelhante. O percentual fica entre 84% e 87% de domicílios monoparentais liderados por mulheres. Marcondes ressaltou que essa não é uma condição permanente, já que relacionamentos podem ser reatados ou um dos genitores pode se casar de novo — dando origem ao padrasto ou à madrasta. Domicílios monoparentais em Campinas e região Desequilíbrio Scalabrini é divorciada há quatro anos e tem a guarda unilateral dos filhos: Júlia, de 14 anos, e André, de 12. O pai mora fora do país e tem contato com os adolescentes por meio de redes sociais ou nas férias escolares. Ela contou que o maior desafio é equilibrar a carreira profissional, os afazeres domésticos, e a educação e o lazer dos filhos. Scalabrini trabalha em Sumaré — ou seja, fora de Campinas, onde reside. "É muito difícil conciliar o tempo para as crianças, o trabalho fora e dentro de casa. Eu praticamente só trabalho. Aí você precisa de um acompanhamento, de uma ajuda e grande parte desse acompanhamento envolve o financeiro, né? E, muitas vezes, a mulher mesmo quem tem de proporcionar esse suposto financeiro", disse. "Por exemplo, o transporte das crianças à escola, hoje pago uma van que leva. Então, é preciso contar com uma rede de apoio. Pode ser a família, os tios ou os profissionais. No meu caso, são os profissionais. É preciso ter essa rede e eu preciso ter essa consciência de que não dou conta sozinha", completou. O relato feito por Scalabrini vai ao encontro de um alerta feito por Marcondes sobre a necessidade de dar apoio às mães solo, já que muitas delas sofrem com a sobrecarga psicológica e financeira. A pesquisadora destacou que a sociedade tem superado o preconceito e pensado em políticas públicas a mulheres que lideram domicílios monoparentais. "A nossa sociedade democrática trouxe outros parâmetros de políticas públicas que podem ser suporte para mulheres com maior vulnerabilidade. Então, assim, hoje em dia, você tem políticas sociais que permitem as mulheres conseguirem recursos para cuidar dos seus filhos", ponderou. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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