'Ele tinha um ciúme possessivo dela', diz irmão de professora morta sobre cunhado, policial penal investigado por suspeita de feminicídio
Policial penal é suspeito de matar esposa em SP "Ele tinha um ciúme possessivo dela." A afirmação é de Tiago Santos, de 36 anos, irmão da professora Aline...
Policial penal é suspeito de matar esposa em SP "Ele tinha um ciúme possessivo dela." A afirmação é de Tiago Santos, de 36 anos, irmão da professora Aline Bugni, de 31, sobre o marido dela, o policial penal Felipe Bugni, de 40, investigado por suspeita de envolvimento na morte da esposa em Cajamar, na Grande São Paulo. A declaração foi dada à Polícia Civil e à TV Globo (saiba mais abaixo). Aline foi encontrada morta na noite de domingo (27), dentro do quarto da casa onde morava com Felipe e a filha de 6 anos do casal. Segundo a Polícia Militar (PM), ela estava caída no quarto, com um tiro na cabeça. Uma arma foi encontrada embaixo da cama. Felipe foi preso em flagrante acusado de agredir e ameaçar o irmão e o pai da professora e cometer violência psicológica contra a esposa. Essa prisão foi convertida em preventiva pela Justiça. A morte de Aline, porém, foi registrada como "morte suspeita", já que ainda não há conclusão sobre como ela morreu. Segundo o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Cajamar, Felipe alegou que a esposa se matou com uma das duas armas que ele tinha na residência. O policial penal contou que estava em um cômodo da casa quando escutou um barulho no quarto e encontrou a esposa caída e sangrando. Feminicídio é principal hipótese Arthur Bugni é suspeito de matar esposa Aline Bugni Arquivo pessoal A principal hipótese investigada pela Polícia Civil, no entanto, é a de feminicídio — assassinato contra mulher por razões da condição do sexo feminino, como contexto de violência doméstica e familiar ou de menosprezo ou discriminação. Na delegacia, Felipe ficou em silêncio sobre a morte da mulher. Mas negou ter cometido violência psicológica contra Aline e disse que mantinha bom relacionamento com ela. Quando as autoridades foram até o imóvel, Felipe disse que queria se matar com a arma que estava sob a cama, mas foi impedido pelos agentes. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa dele para comentar o assunto. Para que o crime de feminicídio seja confirmado, a investigação aguarda os resultados dos exames periciais para confirmar que a mulher foi assassinada — descartando, assim, a versão de suicídio apresentada pelo marido. Nesse caso, Felipe seria indiciado também por feminicídio _o que ainda não aconteceu. Foram feitos exames residuográficos no Instituto de Criminalística (IC) para tentar confirmar a presença de pólvora nas mãos de Felipe e nas de Aline. Duas pistolas dele foram apreendidas. O Instituto Médico Legal (IML) fez exame necroscópico para apontar a causa da morte. Ciúmes e comportamento abusivo Felipe é investigado por suspeita de matar a esposa, Aline. Tiago, irmão dela diz que cunhado sempre foi muito ciumento com a irmã. Reprodução/Arquivo e TV Globo Segundo Tiago Silva, o policial penal tinha comportamento possessivo em relação à mulher. "Ele [Felipe] tinha um ciúme possessivo dela [Aline]. Até quando ela chegava do serviço, ele ia no ponto de ônibus buscar ela. Ele é abusivo, é um cara briguento. Ele já brigou com a rua inteira, ele já ameaçou todo mundo da rua", falou Tiago Silva à Globo. Após a morte da irmã, Tiago e o pai, José dos Santos, de 65 anos, foram agredidos e ameaçados por Felipe, de acordo com o registro policial. Segundo eles, o marido de Aline não deixava ela ter contato com a família dela. Os parentes relataram que a professora já tinha manifestado vontade de se separar por causa do comportamento agressivo de Felipe. Eles também negaram que a mulher queria se matar. "Ela não largava dele porque ela tinha medo de morrer. E aconteceu. Infelizmente aconteceu. Infelizmente uma hora ou outra eu vi que isso ia acontecer porque ela tinha medo dele. Eu saí da casa do meu pai porque ele me ameaçava. Minha irmã sempre prezou pela vida. Minha irmã, ela trabalhava, ela amava a filha dela", lembrou o irmão. Filha ouviu o tiro Tiago e José, respectivamente, irmão e pai de Aline. Os dois foram agredidos por Felipe, marido da professora. Lucas Jozino/TV Globo De acordo com a polícia, a filha do casal também estava em casa no momento em que ocorreu o disparo. O boletim de ocorrência informa que a criança não viu o que aconteceu, mas ouviu o barulho do tiro, entrou no quarto e viu a mãe morta. A criança então chamou o avô, que mora no mesmo terreno, mas na casa debaixo da dela. O homem acionou as autoridades, que foram ao local. Avô chamou GCM antes Policial penal é preso suspeito de matar mulher com um tiro na cabeça, em SP Horas antes da morte de Aline, José já havia chamado a Guarda Civil Municipal (GCM). Ele afirmou que Felipe havia jogado spray de pimenta contra a porta e a janela da residência dele. Os guardas foram ao endereço, orientaram os envolvidos e deixaram o local. Depois, segundo o pai, ele ouviu o genro dizer para Aline Alves Bugni e a filha que ele teria "os piores pesadelos da sua vida". Em seguida, ouviu Felipe Arthur Bugni ligar o som bem alto. Depois, foi chamado pela neta, que informou que a mãe estava morta. José disse ainda que ele e o filho foram agredidos com socos no rosto por Felipe enquanto os agentes da PM estavam no imóvel da filha. À TV Globo, Tiago afirmou: "Ele bateu num senhor de quase 70 anos. Eu peço que seja feita a justiça. Não é porque ele é policial que ele é melhor do que ninguém." O irmão de Aline ainda falou que ele e o pai foram ameaçados de morte por Felipe. "Eu vou te matar, seu lixo" e "não quero esse lixo dentro da minha casa" foram as frases que o policial penal falou, segundo Tiago. Felipe deu outra versão sobre a agressão ao sogro. Disse que José o chamou de assassino e lhe deu um soco primeiro e que ele revidou. Também negou tê-lo ameaçado. Além das armas, dois celulares de Felipe também foram apreendidos para análise. A Polícia Civil não arbitrou fiança porque, segundo o despacho, a soma das penas dos crimes do flagrante ultrapassa quatro anos.