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Gestão de risco: custa caro se proteger das mudanças climáticas no campo?

O que é gestão de risco e por que ela é importante para o futuro da agricultura O avanço das mudanças climáticas tem tornado a produção agropecuária ma...

Gestão de risco: custa caro se proteger das mudanças climáticas no campo?
Gestão de risco: custa caro se proteger das mudanças climáticas no campo? (Foto: Reprodução)

O que é gestão de risco e por que ela é importante para o futuro da agricultura O avanço das mudanças climáticas tem tornado a produção agropecuária mais imprevisível e reforçado a necessidade de gestão de risco no campo. Com eventos extremos mais frequentes, como secas e chuvas intensas, produtores enfrentam perdas que impactam diretamente a produtividade e a renda. Estudos internacionais do Programa Mundial de Alimentos (WFP) apontam que o aumento da temperatura, as mudanças no regime de chuvas e a maior incidência de eventos climáticos extremos estão entre os principais riscos para a produção de alimentos no mundo. No Brasil, os impactos já são mensuráveis. De acordo com relatório divulgado pelo Senado Federal, projeções indicam prejuízos entre R$ 3,5 bilhões e R$ 8,1 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) devido às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a produção de grãos deve crescer de 250,9 milhões para 318,3 milhões de toneladas até 2030, o que amplia o desafio de produzir mais em um ambiente mais instável. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp “A margem de um produtor de soja, de milho, está em 5% a 10%, dependendo da região, então é baixa. O risco da atividade é altíssimo, qualquer variabilidade que aconteça, quando você correlaciona isso com o clima, o produtor é cada vez mais impactado, então ele tem uma janela muito pouco viável para investir na lavoura”, afirma Emerson Crepaldi, diretor de operações da Solinftec para Brasil e América Latina. Equipamento com inteligência artificial combate pragas na lavoura. Solinftec/Divulgação Clima muda rotina e decisões no campo No dia a dia da fazenda, a gestão de risco climático passa por decisões muito concretas e cada vez mais baseadas em dados que chegam em tempo real ao produtor de maneira inteligente. Segundo Crepaldi, mudanças no comportamento do clima já alteraram práticas tradicionais no campo. “Há dez anos, o produtor sabia que chovia mais um lugar da fazenda do que no outro, mas com o efeito da El Nina e El nino, com a variabilidade, as chuvas mais intensas, começou a mudar o manejo. Se muda o manejo ele tem que plantar diferente para que ele não tenha prejuízo econômico”, explica. Para que a semente germine, é necessário um volume específico de água no solo. Antes, essa decisão era baseada em observação e conhecimento prévio, hoje, depende de monitoramento preciso, diante a grande variabilidade do clima, da água disponível e da pressão de pragas. Um ponto importante é a aplicação de insumos ao longo de todo o processo de produção. Condições como temperatura elevada e ausência de vento podem comprometer totalmente a eficácia de defensivos agrícolas. LEIA TAMBÉM Pagar trator com soja? 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Solinftec/Divulgação Do pequeno ao grande produtor De acordo com Crepaldi, com margens apertadas de lucro, entre 5% e 10%, reduzir erros deixou de ser uma vantagem e passou a ser uma necessidade no campo. Nesse cenário, a gestão de risco e o uso de tecnologia vêm ganhando espaço entre produtores de diferentes perfis, do pequeno ao grande. “Claro que o acesso a tecnologia vai em cadeias, mas atualmente eu tenho o pequeno produtor já acessando isso, porque a margem dele é muito menor comparado com um big player, ele pode errar muito menos”, explica o COO. Como o produtor tem pouco controle sobre os preços e depende de fatores externos, a tomada de decisão baseada em dados deixa de ser diferencial e passa a ser parte essencial da operação. “Uma tecnologia completa pode custar cerca de R$ 45 por hectare por ano. Em muitos casos, o retorno chega a R$ 200 ou R$ 250 por hectare. Ou seja, se paga na mesma safra. Aqui eu estou falando de risco, mas eu poderia falar também de retorno econômico, quanto ele vai deixar de gastar aquele plantio”, afirma Crepaldi. Como reduzir os riscos no campo Além da tecnologia, especialistas destacam outras estratégias para lidar com os impactos do clima no campo. Para o professor Vinicius, da Harven School, a gestão de risco passa por planejamento e diversificação de ferramentas. “O clima é um fator que o produtor não controla. Por isso, ele precisa se proteger com estratégias que reduzam o impacto financeiro quando o problema acontece”, explica. Entre as principais medidas estão o uso de seguro rural, contratos futuros e planejamento financeiro. Principalmente porque no Brasil, diferente de países europeus e dos Estados Unidos, onde o governo oferece um respaldo significativo caso a produção não dê certo, os produtores ficam mais expostos a diversas variáveis. “O seguro é essencial para proteger a produção em caso de perdas climáticas. Já os contratos futuros ajudam a garantir preços e reduzir a exposição à volatilidade. Além disso, um bom planejamento financeiro ajuda o produtor a atravessar períodos de perda sem comprometer a atividade.”, afirma o professor. Tecnologias de monitoramento reduzem custos e riscos da atividade agrícola. Solinftec/Divulgação Leia mais notícias da Agrishow 2026

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