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Itapetininga registra setembro mais chuvoso dos últimos 10 anos e acende alerta para produtores rurais

Itapetininga registra o mês de setembro mais chuvoso em 10 anos Itapetininga (SP) registrou o mês de setembro mais chuvoso dos últimos dez anos. As fortes te...

Itapetininga registra setembro mais chuvoso dos últimos 10 anos e acende alerta para produtores rurais
Itapetininga registra setembro mais chuvoso dos últimos 10 anos e acende alerta para produtores rurais (Foto: Reprodução)

Itapetininga registra o mês de setembro mais chuvoso em 10 anos Itapetininga (SP) registrou o mês de setembro mais chuvoso dos últimos dez anos. As fortes tempestades geraram estragos em diversos pontos de toda a região, com mortes, alagamentos, enchentes e rupturas em uma estrada rural. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Segundo o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), foram registrados 259,5 milímetros de chuva até este sábado (19). O índice é 79% superior a 2022, que anteriormente ocupava a primeira posição, com 145 milímetros. Veja a lista completa abaixo: 2026 - 259,5 mm; 2025 - 36 mm; 2024 - 45 mm; 2023 - 77 mm 2022 - 145 mm; 2021 - 42 mm; 2020 - 9 mm; 2019 - 79 mm; 2018 - 143 mm; 2017 - 15 mm; 2016 - 60 mm. A cidade de São Paulo também vive o setembro mais chuvoso da história da capital paulista desde 1943. Até segunda-feira (14), foram registrados 253,8 milímetros de chuva de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ao g1, a meteorologista e pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), Ana Ávila, explica que o volume de 259 milímetros é considerado "sem precedentes". Asfalto de estrada vicinal em Itapetininga (SP) se rompeu devido ao volume da chuva nesta quinta-feira (10) Reprodução/Redes sociais LEIA TAMBÉM Chuva provoca alagamentos, deslizamentos de terra e interdições de rodovias na região de Itapetininga Estudante brasileira leva pesquisa sobre ora-pro-nóbis a disputa internacional: 'Incentivo' Rio Tietê fica cheio, carrega lixo e cidades registram pontos de alagamento nas regiões de Sorocaba e Jundiaí Apesar da região estar enfrentando um El Niño (saiba mais nesta reportagem), não é possível afirmar que o evento seja o responsável pelo alto valor pluviométrico. "Nós tivemos vários pontos em todo o estado de São Paulo registrando um valor elevado para a primeira metade do mês, com números excepcionalmente acima do esperado e acima do que já foi registrado. Nós temos um El Niño em curso e temos as mudanças climáticas, e tudo isso pode impactar de alguma forma", comenta Ana. Além disso, ela pontua que a temperatura média global pode aumentar o índice pluviométrico de regiões extremas. Como consequência, haverá chuvas mais intensas e períodos mais prolongados de seca. "Comprovar isso depende de tempo e estudos, mas estamos com um El Niño em curso e com mudanças climáticas. A possibilidade de que esses fenômenos estejam impactando nessa excepcionalidade de chuva durante o mês de setembro existe", reforça. Plantação de milho verde em sítio do bairro Sabiauna em Itapetininga (SP) Beatriz Pereira/g1 Problemas no agronegócio Entre as principais comunidades afetadas pelos fortes temporais, estão os agricultores. De acordo com a meteorologista, a chuva em excesso pode deixar o solo encharcado, dificultando o desenvolvimento de plantações e ocasionando, possivelmente, a redução de qualidade dos frutos. "Todo excesso é ruim. O elevado volume dificulta os tratos culturais, o plantio e a colheita. As plantas que estão em desenvolvimento, como as frutíferas, podem se beneficiar. Mas, de forma geral. esses dias nublados também podem ter um impacto com relação à qualidade. As chuvas fortes podem danificar as hortaliças, por exemplo. As culturas que estão em colheita sofrem porque precisam de dias secos", afirma. Aumento do nível do Rio Itapetininga no bairro Curuça 2 Jessica Rocha/Arquivo pessoal O preparo do solo também é uma das tarefas do cultivo que acabam sendo afetadas pelas tempestades. Ana comenta que, atualmente, a previsão é que outubro também tenha um índice pluviométrico acima da média em comparação a outros anos. "Os modelos estão indicando que outubro também vai ter um volume acima da média. É a questão que vamos acompanhando mais para frente. É um ano que pode ter períodos de temperaturas altas. Temos expectativas de grandes safras, porém, o clima pode ter algum impacto, reduzindo a qualidade e a quantidade delas", aponta a meteorologista. Produção de Itapetininga (SP) foi afetada pela chuva Arquivo pessoal Já na pecuária, a especialista afirma que a chuva em abundância age de forma positiva, favorecendo os pastos. Mas, nas plantações, elas também podem ser as responsáveis pela proliferação de doenças e pragas. "As pragas e doenças dependem da cultura, da época que ela está. Os dias nublados tendem sempore a favorecer a umidade e, normalmente, as folhas úmidas tendem a ter maior risco de pragas e doenças. A chuva e o vento danificam a estrutura das folhas, ajudando na infiltração de pragas e doenças", relata. "Agora, teremos alguns dias de um tempo mais seco, mas a expectativa é que, na próxima semana, volte a ter um tempo mais úmido, com chuvas mais frequentes. Teremos que acompanhar mais de perto para, assim, entender exatamente qual será o volume nas diferentes regiões", completa. Chuva causou estragos em Avaré (SP) Defesa Civil Atrasos na colheita Maria Isabela Delfino é agrônoma em uma fazenda que cultiva atemoia em Itapetininga. De acordo com ela, a propriedade possui um solo muito argiloso, que fica encharcado durante o período de chuva forte e, por isso, acaba gerando danos nas plantas, como a saturação das raízes. "Temos um solo com 60% de concentração de argila, que é uma propriedade que retém a água. Em apenas seis dias, nosso pluviômetro registrou 185 milímetros de chuva, ou seja, muita retenção de água. O solo fica encharcado e causa menor oxigenação, saturando as raízes das plantas", explica. E o que que isso prejudica as próprias plantas? Maria diz que quanto mais água tem no solo, há menos oxigenação, o que satura as raízes das plantas. A agrônoma descreve que, com o alto volume, as plantas ficam como se estivessem "alagadas", causando a podridão da raiz. Assim, ela não consegue absorver nutrientes, gerando estresse na planta. "O estresse é causado por excesso de água. Nós estamos no final da safra da atemoia e ela já sofre um estresse por estar sendo podada. Quando vem essa grande quantidade de chuva, a planta fica ainda mais sensível e suscetível à doenças, por não estar em uma condição propícia", ensina. Atemoia é cultivada em solo argiloso Arquivo pessoal Maria Isabela acrescenta que a chuva pode resultar em um atraso na colheita e, até mesmo, uma florada completamente perdida. A fazenda onde ela trabalha também planta avocados - uma variedade de abacate - que sofreram danos no cultivo devido às tempestades. "Nós estávamos em plena florada de avocados e, agora, com o excesso de chuva, tivemos bastante abortamentos. Estavam bem bonitos, cheio de flores, mas hoje já não tem mais nada por causa do alto índice. Tem que ter um equilíbrio, porque a falta e o excesso são ruins", lamenta. A solução é aguardar Segundo a agrônoma, não há um método que possa acelerar a secagem do solo. A orientação, ao menos na fazenda onde ela trabalha, é aguardar a secagem natural. "Em alguns casos, quando o solo fica com muita poça de água, dá para fazer um dreno dependendo do terreno, mas é muito difícil. Nós já temos culturas plantadas nesses lugares, então, tem que esperar secar", afirma. Enquanto o solo permanece encharcado, o manejo se concentra na recuperação das plantas que já foram afetadas pelo excesso de água. Segundo a agrônoma, alguns produtos e práticas podem ajudar a reduzir os impactos do estresse e favorecer a recuperação da lavoura. "Para recuperar a planta, é bom contribuir com biológicas no solo, porque a microbiota ajuda o solo a se regenerar e, também, dar estrutura à planta. Produtos à base de aminoácidos ajudam a planta a voltar do estresse. São manejos que você tentar recuperar, mas, infelizmente, não tem muito o que fazer", finaliza Maria Isabela. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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