Justiça bloqueia R$ 205,7 milhões em bens e empresário preso em operação contra agiotagem se diz inocente
Operação prende empresário e cumpre 24 mandados de busca na região As medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça na segunda fase da Operação Armagedom...
Operação prende empresário e cumpre 24 mandados de busca na região As medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça na segunda fase da Operação Armagedom podem atingir até R$ 205,7 milhões em bens de investigados por suspeita de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba. Entre os alvos da operação desta quarta-feira (6) está o empresário identificado pela Polícia Civil como Kleber Nunes, preso em São José dos Campos . Ele negou envolvimento nos crimes e afirmou ser inocente. Apontado pelas investigações como um dos líderes de uma organização criminosa suspeita de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba, Kleber afirmou que cumpriu todas as medidas cautelares impostas pela Justiça. "Todas, todas as medidas. Estou fazendo um tratamento de câncer, tirei um rim. Estou com câncer no reto. Eu não descumpri nada. Eu sou inocente, eu não devo nada para a Justiça, nada", disse em entrevista à TV Vanguarda. O investigado também negou ter ameaçado pessoas ligadas ao caso. O g1 tenta localizar a defesa de Kleber. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Kleber já cumpria prisão domiciliar, mas teria continuado coordenando atividades da organização criminosa a partir da própria residência. Por isso, a Justiça decretou uma nova prisão preventiva durante o andamento das investigações. Kleber Nunes nega o crime e diz que nunca fez ameaças a pessoas ligadas ao caso Reprodução/Rede Vanguarda A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Armagedom, deflagrada pelo Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça de São José dos Campos, além de medidas de quebra de sigilo de dados eletrônicos e bloqueio de bens. De acordo com o promotor de Justiça Luiz Fernandes Cavani de Macedo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a nova fase da operação foi necessária porque as investigações apontaram que o grupo continuou atuando mesmo após as prisões realizadas na primeira etapa da ofensiva, em novembro de 2024. "O preso de hoje é um dos líderes da organização criminosa. Ele é um dos que realmente enriquece com as atividades criminosas, tem muito patrimônio ocultado que ainda precisa ser bloqueado, que ainda precisa ser buscado, e todo o material que foi apreendido na data de hoje vai nos ajudar a ir atrás desse patrimônio de origem ilícita", afirmou. Segundo o Ministério Público, a organização é investigada por conceder empréstimos com juros abusivos e usar ameaças para cobrar dívidas. As apurações apontam que vítimas que não conseguiam quitar os débitos acabavam perdendo patrimônio, como imóveis e veículos, transferidos para terceiros ligados ao grupo. Promotores também afirmam que há relatos de vítimas que deixaram o país por causa das ameaças. Promotor Luiz Fernandes Cavani de Macedo, do Gaeco, diz que empresário preso é um dos líderes da organização criminosa Reprodução/Rede Vanguarda A delegada Cintia Gil Veneziane Dias, do Núcleo Especial Criminal de Combate ao Crime Organizado (Neccold), afirmou que as diligências continuam e que o material apreendido nesta fase da operação será analisado para aprofundar as investigações. As investigações apontam que a organização continuou atuando mesmo após a primeira fase da Operação Armagedom, quando integrantes do grupo foram presos e parte dos acusados acabou condenada pela Justiça. Segundo o Ministério Público, algumas condenações dos líderes do esquema superaram 100 anos de prisão. Ainda de acordo com a investigação, foram identificados imóveis residenciais e comerciais, veículos de alto padrão, empresas e rendimentos oriundos de aluguéis superiores a R$ 48 mil por mês. Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão 37 cavalos da raça mangalarga marchador ligados ao principal investigado. As medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça podem alcançar até R$ 205,7 milhões, segundo o Ministério Público. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e localizar bens que, segundo os órgãos responsáveis pela operação, teriam sido ocultados pela organização criminosa. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina