Liderar também é reconhecer sinais de sofrimento emocional
Perfil Saúde Corporativa Divulgação No ambiente de trabalho, esses sinais podem aparecer de diferentes formas: menos participação nas reuniões, dificuldad...
Perfil Saúde Corporativa Divulgação No ambiente de trabalho, esses sinais podem aparecer de diferentes formas: menos participação nas reuniões, dificuldades que antes não existiam, isolamento, irritabilidade ou uma sensação constante de sobrecarga. Para quem lidera uma equipe, perceber essas mudanças pode ser o primeiro passo para entender se aquele profissional precisa de algum tipo de apoio. Essas mudanças podem ter diferentes explicações e, isoladamente, não permitem concluir que exista um problema de saúde mental. Segundo Wanyer Ferreira, psicóloga organizacional da Perfil Saúde Corporativa, sinais como isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração, faltas e atrasos frequentes, cansaço aparente, comentários autodepreciativos e mudanças na produtividade podem indicar sofrimento emocional. A profissional alerta, porém, que nenhum desses sinais é conclusivo por si só. O gestor deve observar padrões ao longo do tempo e considerar o contexto antes de tirar conclusões. Também é importante separar fatos de interpretações: “chegou atrasado três vezes esta semana” é uma observação objetiva; concluir que o trabalhador está desmotivado já é uma interpretação. Perfil Saúde Corporativa Divulgação O primeiro passo é abrir espaço para conversar Perceber uma mudança é apenas o começo. O desafio está em saber como abordar o profissional sem julgamento e sem invadir sua privacidade. A conversa deve acontecer, de preferência, em um momento privado e sem pressa. Perguntas abertas, como “como você tem se sentido no trabalho?” ou “tem algo que eu possa fazer para ajudar?”, podem criar espaço para o diálogo. Nesse momento, ouvir mais do que falar faz diferença. O gestor deve evitar minimizar o que foi relatado, comparar experiências ou oferecer soluções rápidas antes de entender a situação. Para a psicóloga, o trabalhador também precisa ter liberdade para decidir o que deseja compartilhar. A conversa não deve se transformar em uma investigação sobre sua vida pessoal ou saúde. Acolher não significa tratar. O gestor não deve diagnosticar transtornos ou recomendar tratamentos, mas pode reconhecer quando uma situação merece atenção, oferecer apoio dentro de sua esfera de atuação e orientar sobre os canais disponíveis na organização. Nem sempre a causa está no indivíduo O sofrimento emocional também pode estar relacionado à própria forma como o trabalho é organizado. Sobrecarga, metas inatingíveis, jornadas excessivas, falta de autonomia, comunicação deficiente, conflitos, cobrança constante e ausência de reconhecimento podem contribuir para estresse, esgotamento e sensação de impotência. Nessas situações, o papel da liderança não é apenas ouvir. O gestor também pode atuar sobre aquilo que está sob seu controle, revisando prioridades, redistribuindo tarefas, estabelecendo prazos mais realistas e melhorando a comunicação com a equipe. Essa perspectiva ganhou ainda mais relevância com a nova redação da NR-01, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A mudança reforça que a prevenção precisa considerar tanto o indivíduo quanto as condições em que o trabalho acontece. Perfil Saúde Corporativa Divulgação Preparar a liderança vai além de uma palestra Para lidar melhor com saúde mental e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, os gestores precisam desenvolver competências que combinem escuta, comunicação e autoconsciência. Wanyer destaca habilidades como escuta ativa, empatia, comunicação não violenta, feedback construtivo, inteligência emocional e capacidade de reconhecer os próprios limites. Também é necessário saber quando uma situação deve ser encaminhada ao RH, à Saúde e Segurança no Trabalho ou a profissionais especializados. Mas esse preparo não deve ser uma ação pontual. Antes de definir um treinamento, a empresa precisa entender sua própria realidade. Pesquisas de clima, indicadores de absenteísmo e turnover e a escuta de gestores e equipes podem ajudar a identificar as principais fontes de sofrimento e as lacunas de preparo das lideranças. A partir desse diagnóstico, a capacitação pode ser direcionada para necessidades reais, em vez de se limitar a conteúdos genéricos. O gestor também precisa de suporte Existe ainda um ponto que costuma ficar em segundo plano: quem lidera também está sujeito à pressão, sobrecarga e sofrimento emocional. Gestores convivem com expectativas da equipe, da própria liderança e da organização, além de responsabilidades ampliadas e necessidade constante de tomar decisões. Por isso, não é coerente esperar que estejam permanentemente disponíveis para cuidar dos outros sem que também tenham acesso a suporte. A preparação das lideranças, portanto, precisa vir acompanhada de uma estrutura de apoio. O gestor deve ser visto como um facilitador do cuidado, e não como o único responsável por resolver questões de saúde mental. No fim, uma liderança preparada não é aquela que tem respostas para todas as situações. É aquela que sabe reconhecer quando algo mudou, abre espaço para uma conversa respeitosa, age sobre o que está ao seu alcance e entende quando é hora de buscar ajuda. Para a Perfil Saúde Corporativa, esse preparo faz parte de uma abordagem integrada de Saúde e Segurança no Trabalho, com foco na identificação de riscos, prevenção e construção de ambientes mais seguros e saudáveis. Saiba mais em www.perfilsst.com.br ou pelos telefones (13) 3223-7772 e (11) 3336-6557. Médico responsável: Dr. Charles Dias CRM 79552 RQE 43410