Ministério Público de SP rejeita acordo de delação com 'Beto Louco' e 'Primo', principais alvos da Operação Carbono Oculto
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de co...
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de combustíveis. Montagem g1/Reprodução/Redes sociais/Polícia Civil O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) rejeitou a delação premiada discutida nos últimos meses com os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", principais alvos da Operação Carbono Oculto e acusados de comandar esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis. A defesa foi comunicada sobre a negativa no fim desta manhã (6). O MP apura um esquema sofisticado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis que seria comandado por “Beto Louco” e “Primo”. Os dois estão foragidos desde agosto de 2025, mas, em decorrência da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto. O advogado Guilherme San Juan, que defende os empresários e estava à frente das negociações, afirmou que não vai se manifestar porque o processo é sigiloso. O material apresentado às autoridades, segundo a defesa dos empresários, incluía documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que confirmariam uma propina de mais de R$ 400 milhões a políticos, magistrados e outras autoridades entre 2022 e 2024. Vídeos em alta no g1 A GloboNews apurou que os investigadores envolvidos no caso entenderam que os empresários omitiram informações relevantes, sobre a atuação em esquemas de lavagem e conexões com Primeiro Comando da Capital (PCC), assim como detalhes do esquema e dinâmica de adulteração de combustíveis, além de terem se negado a oferecer detalhes sobre corrupção policial no estado. Além disso, citados na delação já estavam com processos concluídos e não contribuíram com o andamento da investigação. LEIA MAIS: 'Beto Louco' e 'Primo': quem comandava esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis Alvos de megaoperação do PCC são sócios em ao menos 251 postos de combustíveis; veja endereços Tentativas de acordo Os empresários tentavam firmar acordos de delação em diferentes esferas desde o ano passado. As primeiras recusas partiram da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. Em São Paulo, os dois assinaram um termo de confidencialidade. Por envolver uma denúncia envolvendo um juiz, as negociações foram remetidas à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que assumiu a competência originária. As conversas tiveram andamento no MP, mas ficaram travadas nos últimos meses. A GloboNews apurou que o material apresentado por “Beto Louco” e “Primo” não atendeu aos requisitos mínimos para a formalização da delação e não trazia novidades ao que a investigação havia indicado. A negativa, no entanto, não impede que um novo acordo possa ser fechado durante o andamento do processo, caso exista interesse entre as partes. Valores negociados Durante a negociação, foi aventada a possibilidade de que os empresários estariam dispostos a pagar mais de R$ 1 bilhão em impostos sonegados, além de multas, mas investigadores afirmam que os valores sequer foram discutidos. Antes da definição das quantias a serem devolvidas ao estado, seria necessário definir a pena que os empresários cumpririam e também o regime. Até o momento, os dois empresários não têm ordem de prisão expedida no âmbito da Operação Carbono Oculto e não foram denunciados pelo esquema revelado pelo MP. Delação rejeitada no Piauí Assim como aconteceu no Ministério Público de São Paulo, a proposta de colaboração foi rejeitada, em março deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Piauí. O objetivo era o mesmo: ter mais informações e provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa estruturada voltada à prática de fraudes no setor de combustíveis, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro proveniente dos crimes praticados. Os empresários manifestaram interesse na celebração de acordo, alegando ter elementos que poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados, principalmente em relação à organização criminosa, e também assinaram um termo de confidencialidade com o Gaeco do Piauí. Porém, após a análise dos anexos com os conteúdos apresentados pelos investigados, os promotores entenderam que já possuíam as informações que foram apresentadas posteriormente por “Beto Louco” e “Primo”, e que o material entregue não acrescentaria detalhes relevantes ou indispensáveis para o avanço da investigação.