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Motoboy recebe polilaminina após ficar paraplégico em acidente de trânsito no litoral de SP

Homem que ficou paraplégico após sofrer acidente recebe aplicação de polilaminina O motoboy Francisco Carlos Monteiro, de 57 anos, ficou paraplégico após ...

Motoboy recebe polilaminina após ficar paraplégico em acidente de trânsito no litoral de SP
Motoboy recebe polilaminina após ficar paraplégico em acidente de trânsito no litoral de SP (Foto: Reprodução)

Homem que ficou paraplégico após sofrer acidente recebe aplicação de polilaminina O motoboy Francisco Carlos Monteiro, de 57 anos, ficou paraplégico após sofrer um acidente enquanto trabalhava em São Vicente, no litoral de São Paulo. Em busca de alternativas para reverter o quadro, a família dele encontrou uma reportagem do g1 sobre o tratamento com polilaminina. A filha mais velha do motoboy, Mariana Ferreira Monteiro Guedes, de 27 anos, afirmou à equipe de reportagem que o pai recebeu a medicação, que faz parte de um estudo brasileiro ainda em fase experimental, no último sábado (16). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. "Percebemos uma melhora gradativa, pois um dia após a aplicação, a sensibilidade dele foi abaixando do local que havia sido examinado. Ele também já relatou calafrios na perna, que não sentia nada. Três dias após a aplicação, sentiu as coxas e a batata da perna no exame", comemorou Mariana. 🔎 A polilaminina é uma proteína desenvolvida a partir da placenta humana e vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A expectativa é que ela estimule os nervos a criarem novas rotas e restabelecerem parte dos movimentos (leia mais abaixo). Motoboy recebe polilaminina após ficar paraplégico em acidente de trânsito em São Vicente, SP Arquivo Pessoal Acidente Mariana contou que o pai é apaixonado pelos veículos de duas rodas e até chegou a praticar motocross quando era jovem. "Há 22 anos, entrega alimentos, medicações e objetos no geral, diariamente. Sustentou toda a nossa família com a moto", destacou a mulher. Por volta das 5h do último dia 12, Francisco estava a caminho da primeira entrega do dia, quando perdeu o controle da moto e caiu na Avenida Presidente Wilson, no bairro Itararé. A família ainda está investigando como exatamente aconteceu o acidente porque havia poucas testemunhas. De acordo com Mariana, o motoboy foi socorrido pela Polícia Militar (PM) e levado ao Pronto-Socorro de São Vicente, onde foi constatada a fratura na terceira vértebra torácica (T3) com a perda de sensibilidade e movimentos dos membros abaixo da lesão. Francisco foi encaminhado à Santa Casa de Santos (SP) já com o diagnóstico de paraplegia. Na unidade de saúde, ele passou por mais exames e duas cirurgias para o alinhamento da coluna e descompressão medular. Motoboy recebe polilaminina após ficar paraplégico em acidente de trânsito em São Vicente, SP Arquivo Pessoal Polilaminina Em busca de alternativas, a família encontrou uma reportagem sobre um homem que ficou paraplégico após sofrer um acidente durante uma competição de motocross. Esse paciente ganhou na Justiça o direito de receber a polilaminina, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. A filha de Francisco afirmou que a autorização foi concedida após relatório médico e protocolização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "No caso do meu pai, conseguimos enviar todos os documentos necessários em 72 horas. Por isso, não foi necessário entrar com medida judicial". Segundo Mariana, a equipe da cientista Tatiana Sampaio, que lidera a pesquisa da polilaminina na UFRJ, veio do Rio de Janeiro para aplicar a medicação em Santos. Agora, Francisco iniciará um protocolo de fisioterapia intensiva para recuperar os movimentos. Francisco segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas a previsão é de que seja transferido para o quarto ainda nesta semana. Nas redes sociais, a família tem compartilhado a evolução do motoboy por meio de uma campanha para custear a recuperação dele. O que a polilaminina pode fazer e o que ainda não se sabe sobre a substância Autorização A Santa Casa de Santos e a Anvisa disseram que não têm autorização para prestar informações sobre o caso devido à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O g1 tentou contato com um dos pesquisadores que participaram da aplicação e com a UFRJ, mas não obteve retorno. Em relação ao processo do medicamento, a Anvisa explicou que foi aprovada a realização da primeira fase do estudo clínico, que vai avaliar a segurança da aplicação da polilaminina em cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos, que têm lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas, com indicação cirúrgica. 🔎Atenção: mais do que cinco pacientes já receberam a polilaminina por meio de solicitações e decisões judiciais. Nestes casos, eles recebem a substância, mas não são acompanhados dentro de um protocolo estruturado de pesquisa. De acordo com a Anvisa, o estudo clínico autorizado é a primeira das três fases necessárias para subsidiar um futuro registro da polilaminina. O foco inicial é avaliar o perfil de segurança do medicamento experimental. Entenda Entenda como funciona a polilaminina. Arte/g1 O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem. A expectativa é que, aplicada no ponto da lesão, ela estimule os nervos a criarem novas rotas e restabelecerem parte dos movimentos. Estudos em cães e em pequenos grupos de brasileiros, em caráter experimental e dentro de protocolos acadêmicos, foram realizados. O número de pessoas testadas, porém, é pequeno e os cientistas ressaltam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados. Segundo os pesquisadores, alguns voluntários que haviam perdido os movimentos abaixo da lesão recuperaram parte da mobilidade — algo considerado improvável sem intervenção. Os relatos variaram de pequenos movimentos a ganhos mais amplos, como controle de tronco e até passos com auxílio. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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