Polícia Civil de SP recupera 8 obras roubadas da Biblioteca Mário de Andrade; acervo pode valer R$ 1 milhão
Polícia Civil de SP recupera 8 obras roubadas da Biblioteca Mário de Andrade; acervo pode valer R$ 1 milhão Reprodução A Polícia Civil recuperou, nesta qu...
Polícia Civil de SP recupera 8 obras roubadas da Biblioteca Mário de Andrade; acervo pode valer R$ 1 milhão Reprodução A Polícia Civil recuperou, nesta quinta-feira (13), oito obras de arte que haviam sido roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, durante um assalto em dezembro de 2025. As gravuras foram localizadas em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. As obras recuperadas são do artista francês Henri Matisse e faziam parte do conjunto levado pelos criminosos. Ainda seguem desaparecidas cinco gravuras de Candido Portinari. Segundo a Polícia Civil, três pessoas envolvidas no caso já foram presas, e uma delas é conhecida pelos investigadores por ser reincidente em roubos de obras de arte no Brasil. As 13 peças roubadas pertenciam à exposição "Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade", que estava em seu último dia de exibição quando ocorreu o crime. Especialistas ouvidos pelo g1 estimaram que o conjunto das obras de Matisse e Portinari tenha valor em torno de R$ 1 milhão. O valor do seguro, no entanto, é mantido sob sigilo contratual, de acordo com o curador-chefe do Museu de Arte Moderna (MAM), Cauê Alves. A Secretaria da Cultura também destacou que as peças possuem valor cultural, histórico e artístico, que não pode ser mensurado apenas pelo aspecto financeiro. Investigação Em maio deste ano, a Polícia Civil apontou Laéssio Rodrigues de Oliveira como o mentor intelectual do roubo das 13 obras. Conhecido pelas autoridades como "o maior ladrão de obras de arte do Brasil", ele já havia sido preso diversas vezes por crimes semelhantes. Na ocasião, a corporação deflagrou a Operação Marchand para desarticular o núcleo responsável pelo planejamento do crime. Além de Laéssio, também foram alvos de mandados de prisão o companheiro dele, Carlos Leandro Ferreira da Silva, e a estudante de direito Regiane Rodrigues da Silva. De acordo com a representação apresentada à Justiça, os investigadores reuniram um "robusto acervo probatório" contra o grupo. Laéssio já estava preso desde 20 de abril, após ser flagrado tentando corromper um segurança do Instituto Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, para praticar um novo furto. Carlos também havia sido detido pela Polícia Federal. O roubo ocorreu em 7 de dezembro de 2025 e resultou na subtração de oito ilustrações da série "Jazz", de Henri Matisse, e cinco gravuras produzidas por Candido Portinari para a obra "Menino de Engenho". O crime foi executado justamente no último dia da exposição que reunia o acervo do MAM São Paulo e da Biblioteca Mário de Andrade. Bandido trocou de roupa 3 vezes para confundir polícia no roubo de arte da Biblioteca Mário de Andrade Já a estudante de direito, apontada como a intermediária entre o mentor e o executor do crime, foi detida em casa por agentes do Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Cerco) da 1ª Seccional. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos e em casas de leilão. A polícia suspeita que a rede criminosa já estivesse articulando o escoamento clandestino do acervo para colecionadores ou leilões, possivelmente no exterior. Segundo o relatório da investigação, Laéssio não participou da execução do crime para evitar ser reconhecido, já que é uma figura notória no meio cultural -- a trajetória dele foi tema do documentário "Cartas para um Ladrão de Livros", exibido pelo Globoplay. O suspeito também foi estagiário na Biblioteca Mário de Andrade em 2004, quando estudava biblioteconomia. Segundo a investigação, Laéssio fez pesquisas intensas sobre o acervo da biblioteca e a coleção "Jazz", de Matisse, meses antes do assalto. Os investigadores também descobriram um áudio em que combina um encontro com o assaltante identificado como Gabriel na estação Sé do Metrô. A polícia encontrou o contato do executor do roubo no celular de Laéssio salvo sob o codinome "Aphonso Hazuck – gravuras". Em outros áudios apreendidos, Laéssio se vangloria de sua expertise, afirmando que sua política é a de "fazer circular a mercadoria" (obras raras) pelo mundo. GIF obras roubadas da Biblioteca Mário de Andrade Acervo pessoal Veja como ficou a Biblioteca Mário de Andrade momentos após roubo de obras de arte