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Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do carnaval de rua, que será bancado só por patrocínio

Carnaval de SP deve receber 16 milhões de pessoas nos blocos e no sambódromo A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à...

Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do carnaval de rua, que será bancado só por patrocínio
Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do carnaval de rua, que será bancado só por patrocínio (Foto: Reprodução)

Carnaval de SP deve receber 16 milhões de pessoas nos blocos e no sambódromo A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua de São Paulo deste ano. O corte ocorre em meio a críticas de organizadores de blocos tradicionais da capital, que reclamam do baixo valor de fomento oferecido pela prefeitura e da falta de diálogo na preparação do evento (leia mais abaixo). Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões na infraestrutura do carnaval, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. Para 2026, o valor caiu para R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é responsável por toda a infraestrutura e produção do carnaval, incluindo a contratação de banheiros químicos, equipamentos, produção de material informativo, organização dos locais de desfile e sinalização dos circuitos. Durante coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (30), o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, anunciou que "100% da estrutura do carnaval será paga pela iniciativa privada", ou seja, pela patrocinada oficial da festa, a Ambev. Inicialmente, a empresa havia firmado contrato de R$ 29,2 milhões com a prefeitura, após licitação. Na coletiva, o prefeito informou que a Ambev ampliou o aporte em R$ 1 milhão para garantir a instalação de 245 pontos de entrega de material reciclável durante o carnaval de rua. Com isso, o patrocínio total chegou a R$ 30,2 milhões. Segundo Pires, o valor será usado para custear toda a estrutura necessária aos oito dias de folia, como banheiros químicos, gradis, tapumes e contratação de produtores. LEIA TAMBÉM: 'Manual de sobrevivência': veja dicas de segurança e saúde durante a folia ENTENDA: Carnaval é feriado ou ponto facultativo em SP? PROGRAME-SE: veja horários e trajetos dos blocos de rua Foliões curtem o bloco Ritaleena em Pinheiros, Zona Oeste de SP. Divulgação Já as áreas de segurança — que envolvem as polícias Militar, Civil e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) — e de trânsito, sob responsabilidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), continuarão a cargo do poder público municipal e estadual. “A gente está falando da estrutura do carnaval: gradil, banheiro, produtores, tudo o que envolve a estrutura dos blocos, sejam megablocos ou blocos menores. Não estamos falando do efetivo dos órgãos públicos, como CET, PM, Guarda Civil e Polícia Civil”, explicou Pires. Procurada para comentar a redução no orçamento, a prefeitura não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. Carnaval de rua A capital paulista deve receber 16,5 milhões de foliões durante os oito dias de carnaval de rua oficial, no mês de fevereiro, segundo a prefeitura. A estimativa considera o pré-carnaval (7 e 8 de fevereiro), o carnaval (14 a 17 de fevereiro) e o pós-carnaval (21 e 22 de março). Na coletiva de imprensa, Nunes afirmou que 627 blocos de rua desfilarão nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos — um recorde de blocos inscritos. Entre as apresentações dos megablocos estão os artistas Ivete Sangalo, Léo Santana, Alceu Valença, Jammil, Baiana System, Michel Teló, Thiago Abravanel, Luísa Sonza, Lauana Prado, Gustavo Mioto e o DJ escocês Calvin Harris. Megabloco da cantora Pabllo Vittar levou multidão ao Ibirapuera, na Zona Sul de SP, em 2024. Fábio Tito/g1 Críticas a prefeitura Organizadores de blocos de rua de São Paulo, ouvidos pelo g1, afirmam que o valor do fomento oferecido pela prefeitura de R$ 2,5 milhões é insuficiente para garantir a realização dos desfiles. Em contrapartida, o evento movimentou R$ 3,4 bilhões no ano passado. Segundo eles, os recursos públicos não acompanham o aumento dos custos, que incluem caminhões de som, cordeiros, ensaios e estruturas básicas. Neste ano, apenas 100 blocos foram contemplados com apoio de R$ 25 mil para cada, quantia que, de acordo com os organizadores, não cobre nem metade das despesas para colocar um bloco na rua. Outra crítica frequente é a falta de diálogo com a prefeitura na organização do carnaval de rua. Apesar da criação de uma comissão especial pela prefeitura para tratar do evento, o grupo de trabalho não tem representantes dos blocos de rua. Organizadores dos coletivos de carnaval defendem que quem organiza o carnaval há anos deveria participar das decisões sobre regras, estrutura e planejamento da festa. Para eles, a ausência de interlocução direta gera insegurança e dificulta a construção de soluções conjuntas para os desafios do evento. Durante a coletiva, Nunes afirmou que os organizadores de blocos de rua precisam buscar patrocínio próprio e não depender apenas de recursos da administração municipal. “Cada bloco precisa ter suas iniciativas de procurar o seu patrocínio. É isso que a cidade de São Paulo incentiva: que as pessoas tenham o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Então tem que ter sua parte de buscar o patrocínio”, disse Nunes.

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