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Primata 'fantasma': fotos inéditas mostram filhote recém-nascido de parauacu

Fotos inéditas mostram filhote recém-nascido do 'fantasma da floresta' A pureza no olhar e a sensibilidade de um animal que começou a descobrir o mundo há p...

Primata 'fantasma': fotos inéditas mostram filhote recém-nascido de parauacu
Primata 'fantasma': fotos inéditas mostram filhote recém-nascido de parauacu (Foto: Reprodução)

Fotos inéditas mostram filhote recém-nascido do 'fantasma da floresta' A pureza no olhar e a sensibilidade de um animal que começou a descobrir o mundo há pouco tempo. Essas são algumas das impressões transmitidas pelas fotografias inéditas de um filhote recém-nascido de um dos primatas menos conhecidos e estudados do Brasil: o parauacu (Pithecia mittermeieri). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram As imagens foram registradas pela fotógrafa de natureza Cibele Manfredini durante uma expedição que acompanhava o trabalho de pesquisadoras responsáveis pelo monitoramento da espécie em uma extensa área no entorno da pousada Jardim da Amazônia, em São José do Rio Claro (MT). "Esse encontro foi emocionante, pois estávamos à procura do grupo há algumas horas e, quando encontramos o grupo, eu estava com os binóculos olhando eles passando em cima da minha cabeça. Foi então que eu vi um indivíduo passando com algo grudado na barriga. Na hora eu gritei: 'Loianne, filhote!'. Entramos em êxtase. Parecia um nascimento bem recente", conta Miriéli Costa Ramos, bióloga que pesquisa, desde 2025, o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek) na mesma região e auxilia nos estudos do parauacu. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: TILÁPIA INVASORA? Nova nota técnica reacende debate sobre a espécie no Brasil PESQUISA: DNA na água revela peixe raro da Mata Atlântica e ajuda a encontrar nova população FOTOS: Brasileira registra no Japão lagartas que parecem obras de arte da natureza Fotos inéditas mostram filhote recém-nascido do primata conhecido como 'fantasma da floresta' Cibele Manfredini Segundo Loianne Curvo Gottardi Belote, professora e bióloga que estuda a espécie, os registros feitos por Cibele são raros e ajudam a preencher lacunas sobre a história natural desse primata, ainda considerado misterioso pela ciência. "Em 2024 tivemos o conhecimento de um filhote, e um guia local registrou a cena, porém não foi divulgado. Agora essas fotos serão publicadas tanto na literatura científica quanto na mídia para toda a população", explica. Há pouco mais de um ano, Cibele teve o primeiro encontro com o parauacu. Desde então, sempre que trabalha nessa região do Mato Grosso, dedica parte do tempo a procurar e fotografar a espécie. Entre os diversos registros que já fez do comportamento do primata, as imagens do filhote se tornaram as favoritas. "Esse registro foi, sem dúvida, o mais marcante da minha carreira. Fotografar o parauacu adulto já é um grande desafio, mas conseguir registrar um filhote foi um momento simplesmente surreal. O fato de não existirem registros fotográficos publicados dessa espécie nessa fase da vida faz com que essas imagens sejam documentos raros e extremamente especiais", comenta. Desafios para o registro Fotos inéditas mostram filhote recém-nascido do primata conhecido como 'fantasma da floresta' Cibele Manfredini Entre os desafios para conseguir esse tipo de registro estão as longas caminhadas pela floresta em busca do primata. "Percorremos muitas horas em busca deles. É desafiador fotografá-los, pois normalmente estão quase na copa das árvores. E carregar um equipamento de fotografia pesado exige muita força física e mental", pontua Cibele. Muito mais do que imagens bonitas, as fotografias também contribuem para a produção de conhecimento científico. No caso desse filhote, os registros permitiram identificar, por exemplo, que se trata de um macho. "Além de contar história, a fotografia nos dá informações. É por meio desses registros que obtemos dados e respostas. Estudando as fotos, descobrimos que o filhote se trata de um macho", afirma a fotógrafa de natureza. Primata "fantasma" Da esquerda para direita: Loianne, Miriéli e Cibele. Equipe que observou e registrou cena em campo. Arquivo pessoal O Pithecia mittermeieri é uma das 16 espécies desse grupo de primatas existentes no mundo. Dessas, 10 ocorrem no Brasil. O parauacu-de-Mittermeier é exclusivo do país e foi descrito em 2014, após uma ampla revisão taxonômica do gênero Pithecia realizada pela pesquisadora Laura Marsh. O nome científico homenageia o primatólogo Russell Mittermeier, considerado um dos maiores especialistas do mundo na área. Devido à coloração da pelagem, que mistura tons de cinza, amarelo, preto e laranja, e à capacidade de permanecer praticamente imperceptível na floresta, as pesquisadoras costumam chamar o parauacu de macaco "fantasma". "Essa paleta de cores funciona como uma camuflagem perfeita nas copas das árvores, e ele é um verdadeiro fantasma da floresta devido ao seu comportamento críptico. Ao pressentir qualquer distúrbio, ele congela em um lugar e, muitas vezes, se torna praticamente invisível", explica Loianne. Seja pelo comportamento ou pela aparência, o parauacu chama atenção pelas características incomuns. É um primata discreto em praticamente todos os aspectos. Fotos inéditas mostram filhote recém-nascido do 'fantasma da floresta' Cibele Manfredini A vocalização é extremamente baixa e só pode ser ouvida quando o observador está próximo do animal. A grande quantidade de pelos por todo o corpo também se destaca, assim como a cauda volumosa, que, diferentemente da de outros primatas, não é utilizada como um quinto membro para locomoção ou sustentação nos galhos. Um indivíduo adulto costuma pesar entre 1,5 e 4 quilos. Os machos são visualmente maiores que as fêmeas e podem medir cerca de 46 centímetros de corpo, sem considerar a cauda. Já as fêmeas geralmente atingem aproximadamente 37 centímetros. A espécie ocorre entre os rios Madeira e Tapajós, em áreas dos estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso. Em São José do Rio Claro (MT), o parauacu vive em um fragmento de floresta isolado pela expansão das áreas agrícolas. O objetivo das pesquisas desenvolvidas na região é entender como essa pressão interfere no comportamento e na sobrevivência da espécie. Prauacu (Pithecia mittermeieri) adulto Cibele Manfredini Atualmente, o primata é classificado como Vulnerável (VU) pela Lista Vermelha da IUCN. "Essa classificação carrega um grande desafio, que é a falta de dados na literatura científica sobre a espécie. Na prática, o parauacu-de-Mittermeier está sob ameaça devido à rápida perda de habitat no arco do desmatamento e à pressão do agronegócio, mas ainda carecemos de informações básicas para entender o real tamanho e a saúde de suas populações", pontua Loianne. Pesquisa e observação Loianne realizou o primeiro trabalho de campo em busca do parauacu em São José do Rio Claro (MT) em setembro de 2023. A pesquisa faz parte do doutorado da bióloga e representa um estudo pioneiro sobre a espécie. A cada 30 dias, a pesquisadora retorna à floresta para coletar dados sobre o primata. Desde o início do trabalho, a equipe já documentou diferentes aspectos do comportamento da espécie, como alimentação e reprodução. Filhote recém-nascido de parauacu, o 'fantasma da floresta', é fotografado Cibele Manfredini "Descobrimos uma dinâmica de cooperação familiar no cuidado com filhotes e tivemos registros de amamentação prolongada, que são dados científicos valiosíssimos e inéditos para o Pithecia mittermeieri. Essa é a prova de que persistir no campo recompensa o pesquisador com descobertas extraordinárias", acrescenta. Além de revelar novos comportamentos do primata, as pesquisas também ajudam a compreender o papel ecológico da espécie na floresta. Os parauacus atuam tanto no controle de algumas espécies vegetais quanto na dispersão de sementes. Filhote recém-nascido de parauacu, o 'fantasma da floresta', é fotografado Cibele Manfredini "Ao predar sementes, eles atuam no controle populacional de algumas espécies vegetais, mantendo o equilíbrio da flora. Além disso, nem sempre eles destroem a semente. Em várias ocasiões, os animais manipulam os frutos e deixam sementes viáveis caírem intactas no solo, ou as transportam de forma que elas acabam germinando na terra, atuando assim como dispersores", explica Loianne. A área de pesquisa integra o núcleo mais recente das Rotas dos Primatas do Mato Grosso, iniciativa que reúne ciência, turismo e conservação ambiental. Segundo a pesquisadora, essa integração contribui para ampliar o conhecimento sobre as espécies e fortalecer ações voltadas à conservação. Filhote recém-nascido de parauacu, o 'fantasma da floresta', é fotografado Cibele Manfredini "O sucesso de uma pesquisa de longo prazo não se faz de forma isolada. Ele depende diretamente de uma rede de apoio técnico e científico de alto nível. E é isso que estamos desenvolvendo", afirma Loianne ao destacar a colaboração da fotógrafa Cibele Manfredini e da pesquisadora Miriéli Costa Ramos nos trabalhos de campo. As pesquisas com o parauacu também deram origem ao projeto pedagógico Conexões Primatas e Clima em Foco, desenvolvido em sala de aula com o objetivo de trabalhar a conservação dos primatas por meio da educação ambiental. Filhote recém-nascido de parauacu, o 'fantasma da floresta', é fotografado Cibele Manfredini VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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