Réus por queda da Voepass também vão responder por risco imposto em três voos anteriores
Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas Ao tornar réus 12 denunciados pela queda do avião da Voepass que matou...
Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas Ao tornar réus 12 denunciados pela queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), a Justiça Federal acolheu uma acusação que vai além da tragédia de 9 de agosto de 2024. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os acusados também são responsáveis pelo risco ao qual passageiros e tripulantes foram submetidos nos três voos realizados imediatamente antes do acidente pela mesma aeronave. A acusação sustenta que os mesmos problemas apontados como determinantes para a queda do ATR 72-500 já colocavam em risco os ocupantes dessas viagens anteriores. Os réus respondem por crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. A denúncia se baseia em apurações da Polícia Federal (PF), do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entre os réus estão integrantes da alta administração da Voepass que ocupavam cargos de direção e chefia na época do acidente, como o presidente José Luiz Felício Filho - veja relação abaixo. De acordo com o MPF, as investigações identificaram diretrizes internas da Voepass voltadas à redução de custos e à manutenção da operação das aeronaves mesmo diante de riscos à segurança. A denúncia afirma que aviões da companhia tinham registros falsos de manutenção ou passavam por reparos considerados precários, com uso de peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade. O documento também sustenta que havia pressão sobre equipes para que falhas identificadas durante voos e inspeções em solo não fossem registradas nos livros de ocorrência. Para o órgão, o desastre não foi um episódio isolado, mas um "desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas". Em nota, a Voepass disse que o processo seguirá os trâmites previstos em lei e que "a companhia seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo" - clique aqui e veja a nota na íntegra. Já a defesa de José Luiz Felício Filho informou que tomou conhecimento do recebimento da denúncia e "que se manifestará nos autos, no momento adequado, exercendo plenamente as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal". Acidente Voepass: quem são os 12 réus denunciados pelo desastre aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo Relembre acidente com avião da Voepass que deixou 62 mortos em Vinhedo Cenipa aponta 'cultura de normalização de desvios' na Voepass VÍDEO: simulação mostra voo da Voepass da decolagem à queda Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 Nelson Almeida/AFP Os denunciados Entre os réus estão integrantes da alta administração da Voepass que ocupavam cargos de direção e chefia na época do acidente. Dois funcionários que, segundo o MPF, tiveram participação direta nos fatos que levaram à queda também respondem pelos crimes. Veja a lista abaixo: Marcos Hiroyuki Sato (despachante de voo, responsável pelo voo 2283) Alex de Souza Leandro (mecânico) William Schmidt Agatz (gerente do Centro de Controle Operacional) Juliano Flores Pacheco (gerente do Centro de Controle de Manutenção) Raphael Limongi de Figueiredo (chefe do Centro de Controle Operacional) Marcel Sarquis Moura (diretor de Operações) Tiago Passucci Morani (inspetor-chefe e gerente de engenharia) Carlos Alberto Costa (diretor de manutenção) Eric Consoli (diretor técnico) Rafael Gimenez Rodrigues (piloto-chefe) David da Costa Faria Neto (diretor de Segurança Operacional) José Luiz Felício Filho (dono da Voepass) Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal firmaram acordos de não persecução penal e, por isso, não foram incluídas na denúncia. Arte mostra quem são os 12 réus após queda do voo 2283 em Vinhedo (SP). Arte/g1 Gelo severo e falhas no sistema de degelo Segundo as apurações citadas pelo MPF, a empresa tinha conhecimento de que o modelo ATR 72-500 não possuía certificação ou homologação da fabricante para operar em condições críticas de gelo. Mesmo assim, de acordo com a denúncia, a aeronave foi escalada para realizar o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) em 9 de agosto de 2024, quando havia alertas para formação de gelo severo ao longo da rota. O MPF afirma ainda que problemas no sistema de degelo contribuíram para a perda de sustentação da aeronave. Conforme a denúncia, pilotos e gestores da companhia conheciam falhas nesse mecanismo havia pelo menos um ano, mas a ausência de registros oficiais permitia que o avião permanecesse em operação. Relatório sobre queda da Voepass, em Vinhedo, aponta falhas de pilotos e Anac O que disse a Voepass "A VOEPASS entende que, com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, o processo seguirá os trâmites previstos em lei, assegurando às partes envolvidas. A companhia seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo. Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a VOEPASS manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade. A defesa de José Luiz Felício Filho informa que tomou conhecimento do recebimento, pela Justiça Federal, da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e que se manifestará nos autos, no momento adequado, exercendo plenamente as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da VOEPASS e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente. Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos. O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283." Infográfico - Como era o avião que caiu em Vinhedo Arte g1 Globocop mostra local da queda de avião em área de condomínio em Vinhedo (SP) Reprodução/Tv Globo VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região